Anunciando o Evangelho
Artigos com o marcador africano
São Juliano e São Caezarius
29/01/10
Data desconhecida. Os nomes de Caezarius, um diácono africano e Juliano, um padre aparecem nas primeiras relações da martirologia romana. Eles foram ambos martirizados em Terracina, Itália onde era costume um jovem ser voluntário para saltar de um penhasco em sacrifício aos deus Apolo, titular da cidade. Os cidadãos tratavam o jovem muito bem antes de sua morte.
Ele era vestido com ricas roupas, comia do melhor, bebia o que desejava e se desejasse a ele era dado um jovem virgem em sua ultima noite. No dia seguinte era lançado para a morte. Testemunhando o sacrifício Caesarius gritou contra abominável superstição. Os sacerdotes do templo de Apollo o prendera e o levaram ao governador que sentenciou o diácono e seu padre a serem serrados, colocados em um saco e jogados ao mar.
A igreja de São Caezarius da Via Apia em Roma, é dedicada a São Caesarius , o africano e a São Juliano. A igreja caiu em ruínas e foi magnificamente reconstruída por São Clemente VIII.
Sua festa é celebrada no dia 11 de janeiro.
Ex-arcebispo africano Emmanuel Milingo foi reduzido ao estado laical
18/12/09
VATICANO, 17 Dez. 09 / 12:45 pm (ACI).- O Escritório de Imprensa da Santa Sé informou que logo depois de vários anos de sofrimento pelos “lamentáveis comportamentos do arcebispo emérito de Lusaka, Emmanuel Milingo” e seus novos delitos, o Vaticano decretou sua redução ao estado laical.
O comunicado explica que “há vários anos, a Igreja segue com especial sofrimento a evolução dos fatos relacionados com os lamentáveis comportamentos do arcebispo emérito de Lusaka, Emmanuel Milingo. Houve muitos intentos para que o senhor Milingo voltasse para a comunhão com a Igreja católica, procurando também formas adequadas para consentir que ele exerça o ministério episcopal, com uma intervenção direta dos Supremos Pontífices João Paulo II e Bento XVI, que pessoalmente e com espírito de solicitude paterna seguiam o senhor Milingo”.
O texto recorda que “ao longo deste triste caso, já em 2001 o senhor Milingo se encontrou em situação irregular depois de atentar matrimônio com a senhora Maria Sung, incorrendo na pena medicinal de suspensão (cânones 1044 1, n.3; 1394, parágrafo 1 do C.I.C.). Sucessivamente encabeçou algumas correntes para a abolição do celibato sacerdotal e concedeu numerosas entrevistas aos meios de comunicação social, em aberta rebelião com as repetidas intervenções da Santa Sé e criando grave desconcerto e escândalo nos fiéis. Em particular, em 24 de setembro de 2006, o senhor Milingo ordenou quatro bispos em Washington sem o mandato pontifício”.
“O senhor Milingo incorreu portanto na pena da excomunhão latae sententiae (cânon 1382 do C.I.C.), declarada pela Santa Sé em 26 de setembro de 2006 e que segue em vigor. Por desgraça, o senhor Milingo não deu provas do esperado arrependimento em vista ao retorno à plena comunhão com o Supremo Pontífice e com os membros do colégio episcopal, mas seguiu exercendo ilegitimamente o episcopado, cometendo novos delitos contra a unidade da Santa Igreja. Em particular, nos meses passados procedeu em novas ordenações episcopais”, acrescenta.
Do mesmo modo, explica que “estes graves delitos, recentemente verificados, que são sinal da persistente contumácia do senhor Milingo obrigaram a Sé Apostólica a impor-lhe a ulterior pena da demissão do estado clerical”.
“Segundo quanto dispõe o cânon 292 do Código de Direito Canônico a ulterior pena da demissão do estado clerical, que se acrescenta agora a grave pena da excomunhão, comporta as seguintes conseqüências: a perda dos direitos e deveres ligados ao estado clerical, exceto a obrigação do celibato; a proibição do exercício do ministério, salvo o disposto no cânon 976 do Código de Direito Canônico nos casos de perigo de morte; a privação de todos os ofícios, de todos os cargos e de qualquer potestade delegada, incluída a proibição de utilizar o hábito eclesiástico. Em conseqüência, é ilegítima a participação dos fiéis em eventuais novas celebrações promovidas pelo senhor Emmanuel Milingo”, adverte.
Também explica que “a demissão do estado clerical de um Bispo é um fato absolutamente excepcional ao qual a Santa Sé se viu obrigada pela gravidade das conseqüências que se derivam para a comunhão eclesiástica do prosseguimento de ordenações episcopais sem mandato pontifício; a Igreja conserva, não obstante, a esperança de que ele reconheça seus erros”.
“Por isso se refere às pessoas ordenadas recentemente pelo senhor Milingo, é bem conhecida a disciplina da Igreja relativa à pena de excomunhão latae sententiae para aqueles que recebem a consagração episcopal sem Mandato Pontifício (cânon. 1382 C.I.C.). A Igreja, que manifesta esperança em sua conversão, renova o que foi declarado em 26 de setembro de 2006, quer dizer que não reconhece e não reconhecerá no futuro nem essas ordenações nem todas as ordenações delas derivadas e, portanto, o estado canônico dos presuntos bispos segue sendo o mesmo em que se encontravam antes da ordenação conferida pelo chamado senhor Milingo”.
Finalmente, pede que “nesta hora, marcada pela dor profunda da Comunidade eclesiástica por causa dos graves gestos realizados pelo senhor Milingo, confia-se à força da oração o arrependimento do culpado e o daqueles -sacerdotes ou fiéis leigos- que de alguma forma colaboraram com ele na realização de atos contra a unidade da Igreja de Cristo”.
"O Papa está certo", diz autoridade mundial no combate à AIDS
26/03/09
“Eu sou um liberal nas questões sociais e isso é difícil de admitir, mas o Papa está realmente certo. A maior evidência que mostramos é que camisinhas não funcionam como uma intervenção significativa para reduzir os índices de infecção por HIV na África.”
Esta é a afirmação do médico e antropólogo Edward Green, uma das maiores autoridades mundiais no estudo das formas de combate à expansão da AIDS. Ele é diretor do Projeto de Investigação e Prevenção da AIDS (APRP, na sigla em inglês), do Centro de Estudos sobre População e Desenvolvimento da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Uma das instituições educacionais mais prestigiadas do mundo.
Na terça-feira, 17 de março, em entrevista concedida a jornalistas no avião papal rumo à África, Bento XVI afirmou que a AIDS não vai ser controlada somente com a distribuição de preservativos. Para o Pontífice, a solução é “humanizar a sexualidade com novos modos de comportamento”. Por estas declarações, o Papa foi alvo de críticas.
Dr. Edward Green, com 30 anos de experiência na luta contra a AIDS, tratou do assunto no site National Review Online (NRO) e foi entrevistado no Ilsuodiario.net.
O estudioso aponta que a contaminação por HIV está em declínio em oito ou nove países africanos. E diz que em todos estes casos, as pessoas estão diminuindo a quantidade de parceiros sexuais. “Abstinência entre jovens é também um fator, obviamente. Se as pessoas começam a fazer sexo na idade adulta, elas terminam por ter menor número de parceiros durante a vida e diminuem as chances de infecção por HIV”, explica.
Green também aponta que quando alguém usa uma tecnologia de redução de risco, como os preservativos, corre mais riscos do que aquele que não a usa. ”O que nós vemos, de fato, é uma associação entre o crescimento do uso da camisinha e um aumento dos índices de infecção. Não sabemos todas as razões para isto. Em parte, isso pode acontecer por causa do que chamamos ‘risco compensação’”.
O médico também afirma que o chamado programa ABC (abstinência, fidelidade e camisinha – somente em último caso), que está em funcionamento em Uganda, mostra-se eficiente para diminuir a contaminação.
O governo de Uganda informa que conseguiu reduzir de 30% para 7% o percentual de contaminação por HIV com uma política de estímulo à abstinência sexual dos solteiros e à fidelidade entre os casados. O uso de camisinhas é defendido somente em último caso. No país, por exemplo, pôsteres incentivam os caminhoneiros - considerado um grupo de risco - a serem fiéis às suas esposas.
Tertuliano de Cartago
03/06/08
Por Papa Bento XVI
Tradução: Zenit
Fonte: Vaticano/Zenit
Queridos irmãos e irmãs:
Com a catequese de hoje retomamos o filho abandonado por ocasião da viagem no Brasil e seguimos falando das grandes personalidades da Igreja antiga: são mestres de fé também para nós hoje e testemunhas da perene atualidade da fé cristã.
Hoje falaremos de um africano, Tertuliano, que entre o final do século II e inícios do século III inaugura a literatura cristã em latim. Com ele começa uma teologia nesse idioma. Sua obra deu frutos decisivos, que seria imperdoável infravalorizar. Sua influência se desenvolve em diversos níveis: desde a linguagem e a recuperação da cultura clássica, até a individualização de uma «alma cristã», comum no mundo e na formulação de novas propostas de convivência humana.
Não conhecemos exatamente as datas de seu nascimento e de sua morte. Contudo, sabemos que em Cartago, ao final do século II, recebeu de pais e mestres pagãos uma sólida formação retórica, filosófica, jurídica e histórica. Converteu-se ao cristianismo atraído, segundo parece, pelo exemplo dos mártires cristãos.
Começou a publicar seus escritos mais famosos no ano 197. Mas uma busca muito individual da verdade junto com a intransigência de seu caráter, o levaram pouco a pouco a abandonar a comunhão com a Igreja e a unir-se à seita do montanismo. Contudo, a originalidade de seu pensamento e a incisiva eficácia de sua linguagem lhe dão um lugar de particular importância na literatura cristã antiga.
São famosos sobretudo seus escritos de caráter apologético. Manifestam dois objetivos principais: em primeiro lugar, o de refutar as gravíssimas acusações que os pagãos dirigiam contra a nova religião; e em segundo lugar, de maneira mais positiva e missionária, o de comunicar a mensagem do Evangelho em diálogo com a cultura de sua época.
Sua obra mais conhecida, «Apologético», denuncia o comportamento injusto das autoridades políticas com a Igreja; explica e defende os ensinamentos e os costumes dos cristãos, apresenta as diferenças entre a nova religião e as principais correntes filosóficas da época; manifesta o triunfo do Espírito, que opõe à violência dos perseguidores o sangue, o sofrimento e a paciência dos mártires: «Por mais que seja refinada — escreve o autor africano –, vossa crueldade não serve de nada: ainda mais, para nossa comunidade constitui um convite. Depois de cada um de vossos golpes de machado, nós nos tornamos mais numerosos: o sangue dos cristãos é semente eficaz! (semen est sanguis christianorum!)» (Apologético 50, 13). No final, o martírio e o sofrimento vencem, e são mais eficazes que a crueldade e a violência dos regimes totalitários.
Mas Tertuliano, como todo bom apologeta, experimenta ao mesmo tempo a necessidade de comunicar positivamente a essência do cristianismo. Por este motivo, adota o método especulativo para ilustrar os fundamentos racionais do dogma cristão. Ele os aprofunda de maneira sistemática, começando com a descrição do «Deus dos cristãos». «Aquele a quem adoramos é um Deus único», testifica o apologeta. E prossegue, utilizando os paradoxos característicos de sua linguagem: «Ele é invisível, ainda que possa ser visto; inalcançável, ainda que esteja presente através da graça; inconcebível, ainda que os sentidos possam concebe-lo; por este motivo é verdadeiro e grande» (ibidem 17, 1-2).
Tertuliano também dá um passo enorme no desenvolvimento do dogma trinitário; ele nos deixou a linguagem adequada em latim para expressar este grande mistério, introduzindo os termos de «uma substância» e «três Pessoas». Também desenvolveu muito a linguagem correta para expressar o mistério de Cristo, Filho de Deus e verdadeiro Homem.
O autor africano fala também do Espírito Santo, demonstrando seu caráter pessoal e divino: «Cremos que, segundo sua promessa, Jesus Cristo enviou por meio do Pai o Espírito Santo, o Paráclito, o santificador da fé de quem crê no Pai, no Filho e no Espírito» (ibidem 2,1).
Em suas obras se lêem também numerosos textos sobre a Igreja, que Tertuliano reconhece como «mãe». Inclusive após sua adesão ao montanismo, ele não esqueceu que a Igreja é a Mãe de nossa fé e de nossa vida cristã. Analisa também a conduta moral dos cristãos e a vida futura.
Seus escritos são importantes também para compreender tendências vivas nas comunidades cristãs sobre Maria Santíssima, sobre os sacramentos da Eucaristia, do Matrimônio e da Confissão, sobre o primado de Pedro, sobre a oração…
Em especial, naqueles anos de perseguição nos quais os cristãos pareciam uma minoria perdida, o apologeta os exorta à esperança, que — segundo seus escritos — não é simplesmente uma virtude, mas um estilo de vida que envolve cada um dos aspectos da existência cristã.
Temos a esperança de que o futuro seja nosso porque o futuro é de Deus. Deste modo, a ressurreição do Senhor se apresenta como o fundamento de nossa ressurreição futura, e representa o objeto principal da confiança dos cristãos: «A carne ressuscitará — afirma categoricamente o africano: toda a carne, precisamente a carne. Ali onde se encontre, ela se encontra em consigna ante Deus, em virtude do fidelíssimo mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, que restituirá Deus ao homem e o homem a Deus» («A ressurreição do corpo», 63, 1).
Desde o ponto de vista humano, pode-se falar sem dúvida do drama de Tertuliano. Com o passar do tempo, ele se tornou cada vez mais exigente com os cristãos. Pretendia deles em toda circunstância, e sobretudo nas perseguições, um comportamento heróico. Rígido em suas posições, não poupava duras críticas e acabou inevitavelmente isolando-se. De fato, hoje em dia ainda ficam abertas muitas questões, não só sobre o pensamento teológico e filosófico de Tertuliano, mas também sobre sua atitude ante as instituições políticas da sociedade pagã.
Esta grande personalidade moral e intelectual, este homem que ofereceu uma contribuição tão grande ao pensamento cristão, me faz refletir muito. Vê-se no final que lhe falta a simplicidade, a humildade para integrar-se na Igreja, para aceitar suas fraquezas, para ser tolerante com os outros e consigo mesmo.
Quando só se vê o próprio pensamento em sua grandeza, no final se perde esta grandeza. A característica essencial de um grande teólogo é a humildade para estar com a Igreja, para aceitar suas próprias fraquezas, pois só Deus é totalmente santo. Nós, contudo, sempre temos necessidade de perdão.
Em definitivo, o autor africano permanece como uma testemunha interessante dos primeiros tempos da Igreja, quando os cristãos se converteram em sujeitos de «nova cultura» no encontro entre herança clássica e mensagem evangélica. É sua a famosa afirmação, segundo a qual, nossa alma é «naturaliter cristã» («Apologético», 17, 6), com a qual Tertuliano evoca a perene continuidade entre os autênticos valores humanos e os cristãos; e também é sua a reflexão, inspirada diretamente no Evangelho, segundo a qual «o cristão não pode odiar nem sequer seus próprios inimigos» (cf. «Apologético», 37). Implica uma conseqüência moral ineludível, a opção de fé que propõe a «não-violência» como regra de vida: e não é possível deixar de ver a dramática atualidade do ensinamento, à luz do acendido debate das religiões.
Nos escritos do africano, em definitivo, são tratados numerosos temas que ainda hoje temos de enfrentar. Eles nos envolvem em uma fecunda busca interior, à qual convido todos os fiéis, para que saibam expressar de maneira cada vez mais convincente a «Regra da fé», segundo a qual, como diz Tertuliano, «nós cremos que há um só Deus, e não há outro fora do Criador do mundo: ele fez tudo do nada por meio de seu Verbo, gerado antes de tudo» («A prescrição dos hereges» 13, 1).






