Anunciando o Evangelho
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São Boaventura
29/01/10
Nasceu como Giovanni de Fidanza e a lenda diz que São Francisco de Assis o curou milagrosamente de uma doença perigosa na juventude e exclamou: ” Ó buena ventura” e assim seu nome mudou para Boaventura.
Um contemporâneo de São Thomas de Aquino, de São Alberto o grande, ele foi para a Universidade de Paris com 14 anos. Lá estudou teologia sob o grande professor franciscano Alexandre Hales e talvez tenha sido influenciado a entrar a Ordem dos Franciscanos com 20 anos.
Lá pelos anos 1248 formou-se Bacharel em Teologia, e Bacharel em Escrituras. Dois anos mais tarde ele tornou-se Mestre em Teologia e foi indicado Catedrático dos Frades Menores. Ele ensinou teologia e escrituras, e pregou em Paris de 1248 a 1255, concentrado na elucidação de alguns problemas que exercitava as mentes dos estudiosos da época.
Seu ensinamentos eram cercados de oposição por alguns professores seculares, que ficavam ciumentos do sucesso do novo frade e ainda mais incomodado pela vida austera que ele levava.
Aparentemente o desprezo que eles tinham pelos franciscanos, levou a universidade a demorar emitir o diploma de Doutorado em Teologia, mas isto não deixou Boaventura nem abalado e nem chateado porque ele tinha uma mente elevada. Com Tomas de Aquino ele defendeu os frades contra os seus oponentes.
Quando o líder secular Willian de Santo Aurmour escreveu “Os perigos dos últimos tempos “, Boaventura respondeu publicando “Preocupado com a pobreza de Cristo” um tratado da santa pobreza.
O Papa Alexandre IV denunciou Willian e ordenou o término dos ataques aos frades mendicantes. Assim a ordem dos mendicantes foi re-estabelecida em Paris, e São Boaventura e Santo Tomas de Aquino receberam em 1257 seus doutorados em teologia.
Naquele mesmo ano, quando tinha apenas 36 anos Boaventura foi eleito Ministro Geral dos Franciscanos. Nesta posição ele se defrontou com uma tarefa difícil, porque ele pensava que São Francisco de Assis havia estabelecido um ideal incomparável para a Ordem, mas a sua organização era fraca e desde a sua morte, um grande número de diferentes grupos haviam surgido.
No seu quartel general em Narbone, em 1260 São Boaventura desenvolveu um jogo de regras que se tornou a Constituição da Ordem, por isto é que ele é chamado de “o segundo fundador dos franciscanos”.
Alguns o acusam de ter enfraquecido o espirito de São Francisco : A “Vida” que ele escreveu de si próprio, de modo a promover a unidade dos irmãos franciscanos é acurada mas incompleta. Ele modificou o Regra da Ordem que proibia os franciscanos de receber dinheiro e ter suas próprias propriedades.
A severa interpretação da espiritualidade de São Francisco de Assis valorizava a pobreza acima de tudo, inclusive do aprendizado, mas Boaventura aprovada primeiro o estudo e a necessidade da Ordem em possuir livros e casas para conventos e monastérios. Os monges deveriam ensinar e estudar nas universidades para terem condições de pregar e serem guias espirituais para compensar os clérigos pouco educados que haviam na época.
Em aditamento aos seus trabalhos de teologia e filosofia Boaventura deixou tratado de ascéticos, alguns dos quais foram traduzidos para o inglês por ele próprio, inclusive a “Jornada das almas para Deus”.
Entre os seus trabalhos estão: “Comentários das sentenças de São Pedro”(que cobre um amplo campo da teologia escolástica) Os trabalhos místicos de Breviloquium , o “Itinerarium mentis ad Deum” ,” De reductione artium theologium” , a “Perfeição da Vida” (escrito para a Beata Isabel, irmã de São Luís IX e seu Convento das Clarissas Pobres) “Soliloquy”, vários comentários bíblicos de sermões.
Escreveu ainda sobre a Virgem Maria:
“Se o meu Redentor , por causa de meus pecados, me mandasse para longe de si, lançar-me-ia aos pés de Maria,e, aí prostrado , não me levantaria sem que ela me tivesse alcançado o perdão”.
No ano seguinte, o Papa Gregório o chamou para escrever a agenda do 14° Concílio Geral em Lyon e para discutir a reunião de Roma com as Igrejas do Leste. Santo Tomas de Aquino morreu a caminho do Concilio. São Boaventura foi a figura mestre e conseguiu o sucesso do Concílio e com isto ele tambem escreveu o último capítulo das Regra da Ordem entre a terceira e a quarta sessão. São Boaventura veio a falecer enquanto o Concilio de Lyon ainda estava em sessão e foi enterrado em Lyon.
A reputação de São Boaventura é baseada na sua bondade pessoal, seu notável conhecimento e brilhante raciocínio como teólogo. Alguns julgam que ele estaria “iluminado” pelo Espirito Santo.
“Com ele parece que até Adão não havia pecado” escreveu Alexandre de Hales, e quando ele morreu a “Ata Oficial do Concilio” diz: ” Nesta manhã morreu o irmão Boaventura de famosa memória, homem de notável santidade, bondade, homem piedoso, afável, misericordioso, e repleto de virtudes e amor ao Deus e ao homem… Deus deu a ele a graça de que todas as pessoas que com ele convivesse, o respeitava e o amava”.
Embora São Boaventura e Santo Tomas de Aquino fossem amigos por uma vida, os dois homens se opunham em certas questões como o neo-aristotelismo, que estava sendo introduzido na teologia por Aquino. São Boaventura temia que como resultado, a filosofia fosse elevada acima da teologia e que a razão ficasse mais importante que a revelação.
Dizia São Boaventura “um pobre e velho homem pode amar a Deus mais que um Doutor em Teologia”.
Mas a síntese que Santo Tomas de Aquino fez da teologia não teve o efeito desastroso temido por São Boaventura e Santo Tomas se alinhou com os grandes pensadores da Igreja, como Santo Agostinho e enfatizou a supremacia da graça e seguiu os passos do fundador da Ordem.
São Boaventura foi canonizado em 1482 e declarado Doutor da Igreja em 1588.
Na arte litúrgica da Igreja, São Boaventura é mostrado: 1)como um Cardeal com o hábito franciscano lendo ou escrevendo um livro; 2) as vezes com a Arvore da Vida?Jesus crucificado em uma árvore-3) com o crucifixo, 4) com um anjo ouvindo suas preces; 5) na livraria com Santo Tomas de Aquino 6) na pintura do grande Francisco Zuburban ele está presidindo o Consilho de Lyon e 7) com o Papa e o Imperador presentes ao seu funeral.
Sua festa é celebrada no dia 15 de julho.
São Maximiliano Kolbe
29/01/10
Entrou para a ordem dos Franciscanos e tomou os seus votos temporários em 1911. Em 1917, um ano antes de sua ordenação para o sacerdócio, Maximiliano fundou a Milícia de Maria Imaculada, em Roma, para aperfeiçoar a devoção a Virgem Maria. Em 1941, Maximiliano foi preso pela Gestapo, quando os nazistas invadiram a Polônia e foi enviado para o campo de concentração de Auschwitz.
Em agosto de 1941, ele se ofereceu para tomar o lugar de um prisioneiro casado e que tinha uma família, que seria punido como exemplo retaliatório no campo. Dez prisioneiros foram executados porque um havia escapado. Maximiliano foi voluntário para morrer em lugar o prisioneiro casado. Mas em vez de mata-lo, os guardas da SS o torturam. Após longos e terríveis sofrimentos, que ele suportou com equanimidade e preocupação pelos colegas prisioneiros, foi lhe dado uma injeção de acido pelos guardas da SS, que terminou com o seu martírio. Foi beatificado em 1971 e canonizado pelo Papa João Paulo II em 1982.
Sua festa é celebrada em 14 de agosto.
São Tiago della Marca
29/01/10
Nasceu em Monteblandone, Marca, em 1 de setembro de 1394 como Dominic. Tomou o hábito dos franciscanos com 22 anos em 1416. Ele tomou o nome de James e da província de onde veio, assim passou a se chamar James della Marca. Nos países latinos seu nome é Tiago della Marca. Antes de ser missionário por 50 anos ele foi educado com Sã Bernardino de Sienna em Fiezole, perto de Florença, Itália e foi ordenado em 1423 com 29 anos. Ele tornou-se um notável pregador. Ele pregou por todos dias durante 40 anos e era sua vocação andar por toda a Europa e pregar o Cristianismo, sempre onde ele sentisse necessário. Ele tinha a paciência de um Beneditino para reconstruir todas as suas jornadas inclusive aquelas que fez com São João Capristano através da Itália ,Alemanha, Bohemia, Polônia e Hungria. Esse franciscano cheio de incrível energia andava por todos os lados. Ele apareceu na Bósnia em 1432 onde o Rei Tuerko o recebeu de braços abertos Ali ele pregou contra a heresia dos Bogomils. Em 1436 Tiago estava na Bohemia, Hungria e Áustria, fundando um monastério por mês. Em 1437 o Imperador Segismundo iniciou uma cruzada contra os turcos e Tiago foi junto.
Em 1438 ele retornou a Itália, fez um sermão em Bolonha, atendeu a um Concilio em Ferrara e voltou para a Hungria. Tudo a pé ou no lombo de cavalos ou mulas. Em 1440 ele ficou doente em Chipre e, em um raro evento ele em 1444, ficou três dias descansando no monastério de Trasimene onde se encontrou com São João Capristrano e São Bernadino de Siena, que morreu no mês seguinte. Sucedendo São João Capristrano como Legado Papal em 1456 ele foi para a Austria e Hungria para combater os Hussites. A ele foi oferecido o bispado de Milão mas ele recusou porque preferia continuar pegando. Em 1462 como resultado de um sermão em Brescia, no qual ele deu sua opinião teológica sobre o ” Precioso Sangue de Cristo”, ele tornou-se sujeito a uma inquisição local. O caso era controvertido e Tiago recusou-se a comparecer ante a Inquisição e recorreu a Roma. Um silencio sobre o assunto, foi imposto aos inquisidores Dominicanos e aos Franciscanos e nenhuma decisão foi jamais alcançada.
E assim ele estava sempre indo de um lugar para o outro, sempre pregando e lutando uma boa causa até que em 28 de novembro de 1476 ele deixou Nápoles seguindo para o Céu em sua última jornada, onde temos razão para acreditar que o incansável franciscano ainda esteja. Ele era magro e só dormia 3 horas por noite e usava um hábito feito de pano grosso. Ele jejuava dia sim, dia não. No final o papa proibiu que ele jejuasse porque sua saúde era de interesse público. O bom senso do Papa Sixtus IV foi notável para a época ao recomendar ao santo que cuidasse de sua saúde. Mas o bom frei comia apenas pão, feijão, alho e cebola. Dizia que o Espirito Santo o inspirava a grandes sermões com grande poder e ferocidade e com sucesso incrível, mesmo com o estômago vazio. E era verdade. Em Camerino, certa vez seu discurso quase fez com que a platéia queimasse seu adversário. Em Aquila, 40.000 pessoas aguardavam ele descer do púlpito para dar o que seria hoje uma espécie de autógrafo. Queriam que ele escrevesse o nome de Jesus em um pedaço de pergaminho. Para conseguir satisfazer a demanda, os frades do monastério produziam milhares desses pergaminhos e Tiago colocava sua mão neles abençoando a todos os pergaminhos. Diz a tradição que sua benção curava várias doenças.
Ele era também um grande pacificador. Nos turbulentos anos do 15° século, onde a paz parecia desaparecer por todos os cantos, ele conseguiu com seu dom especial, reconciliar lados opostos de franciscanos que tinha interpretações diferentes sobre o verdadeiro espirito do seu fundador, São Francisco de Assis, com o seu notável raciocínio teológico. Ele reconciliou católicos de todos os lados. Por exemplo: ele moderou a oposição aos Hussites da Hungria oferecendo no Consílho de Basle a prática das Comunhões em ambos os credos. Ele participou em 1438 do Consílho de Florença e da Reunião das Igrejas Orientais e Ocidentais. E acima de tudo ele reconciliou o homem com Deus, o que sem duvida é o melhor meio de reconciliar o homem com o homem. Em 1473 ele foi para Nápoles, onde veio a falecer em foi enterrado na Igreja de Santa Maria Nuova. Seu túmulo se tornou local de peregrinação e vários milagres foram creditados a sua intercessão. Papas e reis chamavam por ele, porque queriam ouvir a voz de Deus. Cada manhã ele pregava diferente porque, segundo ele, a noite havia respirado o Espirito Santo. Na arte litúrgica da Igreja, São Tiago della Marcha é representado com um cálice e uma serpente saindo do cálice, as vezes com um cálice e um véu, e outras vezes com um báculo e um lírio apontando para IHS. Ele é venerado em Ancona e é o padroeiro de Nápoles. Foi beatificado em 1624 pelo Papa Urbano VIII e canonizado em 1726 peloPapa Benedito XIII.
Só os Santos transformam a Igreja e a sociedade, recorda o Papa Bento XVI
13/01/10
VATICANO, 13 Jan. 10 / 01:04 pm (ACI).- Em meio de uma jornada dominada pela dor pelo terremoto que golpeou o Haiti, para quem o Papa Bento XVI pediu urgentemente a ajuda da comunidade internacional, o Santo Padre dedicou a Audiência Geral de hoje às ordens mendicantes do século XIII, dominicanos e franciscanos, e explicou que solo os Santos, guiados Por Deus são “os autênticos reformadores da vida da Igreja e da sociedade”.
Em sua habitual catequese na Sala Paulo VI e perante umas nove mil pessoas, o Pontífice se referiu às ordens fundadas por São Francisco de Assis e São Domingo de Gusmão, assinalando os que alcançam a santidade, como estes dois grandes fundadores, convertem-se em “mestres com a palavra e testemunhas com o exemplo, promovem uma renovação eclesiástica estável e profunda”.
Santos como Francisco de Assis e Domingo de Gusmão “foram capazes ler com inteligência os “sinais dos tempos”, intuindo os desafios que a Igreja daquela época deveria enfrentar, como o aparecimento de grupos radicais que se afastavam da verdadeira doutrina cristã; o aumento das populações urbanas sedentas de uma intensa vida espiritual; e a transformação cultural que eclodia a partir das Universidades”. Um destes desafios era “a expansão de vários grupos e movimentos de fiéis que, embora inspirados por um desejo legítimo de vida cristã autêntica, colocavam-se freqüentemente fora da comunhão eclesiástica”.
Entre estes grupos, disse o Papa, estavam os cátaros ou albigenses, que re-propuseram antigas heresias como “o desprezo do mundo material, a negação da livre vontade e a existência de um princípio do mal equiparável a Deus”.
Movimentos como aqueles tiveram êxito, “não só por sua sólida organização, mas também porque denunciavam uma desordem real na Igreja, causado pelo comportamento pouco exemplar de diversos representantes do clero”, acrescentou Bento XVI
Entretanto, os franciscanos e os dominicanos “demonstraram que era possível viver a pobreza evangélica sem separar-se da Igreja”, renunciando não somente à posse de bens materiais, mas também rechaçando que a comunidade fosse proprietária de terrenos e bens imóveis, testemunhando assim “uma vida extremamente sóbria para ser solidários com os pobres e confiar apenas na Providência”.
O estilo pessoal e comunitário das ordens mendicantes, “somado à adesão total ao ensino da Igreja e à sua autoridade foi muito apreciado pelos pontífices da época, que ofereceram seu pleno apoio a essas novas experiências eclesiásticas, reconhecendo nelas a voz do Espírito”.
“Também hoje, inclusive vivendo em uma sociedade em que prevalece o ter sobre o ser, somos muito sensíveis aos exemplos de pobreza e solidariedade”, observou Bento XVI, recordando que Paulo VI afirmava que “o mundo escuta com agrado aos mestres quando também há testemunhas. Esta é uma lição que não deverá ser esquecida jamais na obra de difusão do Evangelho: viver em primeira pessoa o que se anuncia, ser espelho da caridade divina”.
Do mesmo modo, as ordens responderam à exigência muito difundida em sua época da instrução religiosa, pregando e tratando “temas muito próximos à vida da gente, sobre tudo a prática das virtudes teologais e morais, com exemplos concretos, facilmente compreensíveis”.
Dada sua importância, estas ordens mendicantes promoveram instituições leigas como os grêmios ou as autoridades civis as consultavam freqüentemente. Os franciscanos e dominicanos foram assim “os animadores espirituais da cidade medieval” e “puseram em marcha uma estratégia pastoral adequada às transformações da sociedade”. Em um tempo em que as cidades cresciam, construíram seus conventos em zonas urbanas e viajaram de um lugar a outro, “abandonando o princípio de estabilidade que tinha caracterizado a vida monástica durante séculos”.
Outra grande provocação eram “as transformações culturais”, que tornavam muito vivaz a discussão nas universidades. Daí que os frades “entrassem nos ateneus mais famosos como estudantes e professores, erigissem centros de estudo e incidissem significativamente no desenvolvimento do pensamento”.
Ao falar das chamadas “terceiras ordens” dependentes dos franciscanos e dominicanos, onde se reuniam os leigos, o Santo Padre disse que “a proposta de uma ‘santidade leiga’ conquistou muitas pessoas. Como recordou o Concílio Ecumênico Vaticano II, a chamada à santidade não está reservada a alguns, mas é universal. Em todos os estados de vida, seguindo as exigências de cada um deles, encontra-se a possibilidade de viver o Evangelho. Também hoje todo cristão deve ter a ‘medida alta da vida cristã’ em qualquer estado de vida ao que pertença!”.
“Hoje, vivendo em uma sociedade em que com freqüência prevalece o ‘ter’ sobre o ‘ser’, somos muito sensível aos exemplos de pobreza e solidariedade, que os fiéis oferecem com opções valentes. Também hoje não faltam iniciativas similares: os movimentos, que partem realmente da novidade do Evangelho e o vivem com radicalidade no hoje, ficando nas mãos de Deus, para servir ao próximo. Esta é uma lição para não esquecer nunca na obra da difusão do Evangelho, viver pessoalmente o que se anuncia, ser espelho da caridade divina”.
Ao finalizar sua catequese, Bento XVI ressaltou que “hoje também há uma “caridade da verdade e na verdade”: “uma “caridade intelectual” para iluminar as inteligências e conjugar a fé com a cultura”.
“A tarefa dos franciscanos e dominicanos nas universidades medievais é um convite a estar presentes nos lugares de elaboração do saber para propor, com respeito e convicção, a luz do Evangelho sobre as questões fundamentais que correspondem ao ser humano, a sua dignidade e o seu destino eterno”, concluiu o Papa Bento.
Franciscanos recordarão seu 8º centenário em Assis
08/04/09
Reviverão o «capítulo das esteiras»
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 7 de abril de 2009 (ZENIT.org).- Mais de dois mil franciscanos de todo o mundo se congregarão de 15 a 18 de abril para recordar em Assis o 8º centenário da fundação da família religiosa, convidados por seus superiores gerais.
Recordarão um encontro convocado por São Francisco de Assis cinco anos antes de sua morte, em 1221, quando chamou 5 mil frades: foi o primeiro capítulo geral dos franciscanos, que então se chamou «das esteiras», pois naquela ocasião, por falta de leitos, os frades dormiram em «esteiras».
O próximo capítulo internacional das esteiras, convocado em recordação dos 800 anos da aprovação, em abril de 1209, por parte do Papa Inocêncio III, da Regra de São Francisco, e portanto da nova Ordem, foi apresentado nesta terça-feira em Roma, na sede da Rádio Vaticano, pelo ministro geral da Ordem dos Frades Menores, o Pe. José Rodríguez Carballo.
«O capítulo das esteiras quer ser um momento intenso de testemunho ao mundo como fraternidade e de reflexão sobre os temas fundamentais de nossa vida», explicou o Pe. Carballo.
Os delegados se reunirão em Assis e depois em Roma, em representação dos 35 mil frades franciscanos das 4 denominações que estão presentes em 65 países do mundo.
O capítulo concluirá com a audiência do Papa Bento XVI, no pátio do palácio apostólico de Castel Gandolfo, em 18 de abril.
As jornadas franciscanas refletirão sobre a acolhida, o testemunho, o significado da penitência e do jejum e a gratidão.
Dedicar-se-á também um amplo espaço a refletir sobre o compromisso missionário, pois, como explicou o Pe. Carballo, os franciscanos são a primeira ordem missionária.
«São Francisco é o primeiro fundador que escreve em sua regra um capítulo sobre a missão em terras cristãs, mas é o primeiro também em escrever um capítulo sobre a Missio ad gentes, para aqueles que iam entre os chamados sarracenos e outros não-cristãos.»
«Estivemos sempre na fronteira da evangelização e este será nosso compromisso também para o futuro – declara o ministro geral. Nosso claustro é o mundo.»
Quem não puder participar do capítulo, poderá acompanhar ao vivo suas diferentes fases graças à Teleradio Padre Pio, que transmite por satélite (www.teleradiopadrepio.it).