Anunciando o Evangelho
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Quem confia no Senhor não teme as adversidades da vida, diz Papa
02/08/10
ROMA, domingo, 1º de agosto de 2010 (ZENIT.org) – A verdadeira sabedoria implica em confiar no Senhor, não vivendo apenas como se a existência dependesse das realidades passageiras.
Foi o que disse Bento XVI neste domingo ao meio-dia, ao rezar o Angelus com os peregrinos reunidos no pátio da residência pontifícia de Castel Gandolfo.
Ao recordar o exemplo de santos como Inácio de Loyola, Afonso Maria de Ligório, Santo Eusébio e São João Maria Vianney, o Papa disse que esses foram homens que adquiriram um “coração sábio”.
Eles acumularam “o que não se corrompe” e descartaram “o que muda ao longo do tempo: o poder, a riqueza e os prazeres efêmeros. Escolhendo a Deus, possuíram tudo o que foi necessário, saboreando, a partir da vida terrena, a eternidade”.
No contexto do Evangelho deste domingo, o Papa afirmou que o ensinamento de Jesus refere-se à verdadeira sabedoria.
“Jesus adverte os ouvintes quanto aos desejos de bens terrenos, com a parábola do rico insensato, que, tendo acumulado uma grande colheita e bens, deixaria de trabalhar e consumiria seus bens divertindo-se e iludindo-se de poder postergar a morte.”
“Mas Deus lhe diz: ‘Tolo! Ainda nesta noite, tua vida te será retirada. E para quem ficará o que acumulaste?’”
Na Bíblia – afirmou o Papa –, o homem insensato “é aquele que não se dá conta, a partir da experiência das coisas visíveis, que nada dura para sempre, mas tudo passa: tanto a juventude, como a força física, as comodidades como as funções de poder”.
“Fazer depender a própria vida de realidades assim tão passageiras é, portanto, insensatez.”
“O homem que, pelo contrário, confia no Senhor, não teme as adversidades da vida, nem sequer a inelutável realidade da morte: é o homem que adquiriu um ‘coração sábio’, como os santos”, disse o pontífice.
Sacerdote argentino promotor do “casamento” homossexual desafia Igreja
15/07/10
Será submetido a um juízo canônico, mas se nega a deixar de celebrar a Missa
CÓRDOBA, quarta-feira, 14 de julho de 2010 (ZENIT.org) – O sacerdote argentino conhecido por promover as uniões homossexuais anunciou que não obedecerá à ordem cautelar do seu bispo, que o proibiu de exercer o ministério sacerdotal.
“Neste final de semana vou celebrar a Missa, a menos que me prendam”, anunciou o Pe. José Nicolás Alessio, quem, contra os ensinamentos da Igreja, apoia a reforma ao Código Civil que se votará hoje no Senado para permitir o erroneamente chamado “casamento” homossexual.
Ontem, a arquidiocese de Córdoba anunciou que seu arcebispo, Dom Carlos José Ñañes, iniciou perante o tribunal eclesiástico o processo canônico correspondente ao Pe. Alessio, de 52 anos, pároco de San Cayetano, no bairro Altamira, de Córdoba.
Enquanto se desenvolve o juízo, como medida cautelar, o arcebispo lhe proibiu o exercício público do ministério sacerdotal, Portanto, o mencionado sacerdote não poderá celebrar publicamente a Santa Missa nem administrar os sacramentos da Igreja, razão pela qual, na prática, não poderá trabalhar como pároco.
Na última segunda-feira, Dom Ñañez ordenou enviar um comunicado a todos os sacerdotes que têm alguma responsabilidade pastoral ou eclesial na arquidiocese de Córdoba, no qual “manifesta claramente que, depois de ter esgotado todos os meios de solicitude pastoral para que o presbítero José Nicolás Alessio se emendasse e retratasse publicamente das declarações realizadas por ele mesmo a favor do suposto ‘casamento’ entre pessoas do mesmo sexo, contrariando o ensinamento e o Magistério da Igreja Católica, e tendo o mencionado presbítero negado toda possibilidade de modificação do seu agir, decidiu iniciar o processo eclesiástico correspondente no tribunal interdiocesano de Córdoba, para que toda ação se realize conforme o direito eclesial vigente, estabelecendo uma medida cautelar na que formalmente ‘lhe proíbe o exercício público do ministério sacerdotal’”.
Deus preenche plenamente o coração humano, afirma Papa
28/06/10
Durante a oração do último Ângelus do mês de junho
CIDADE DO VATICANO, domingo, 27 de junho de 2010 (ZENIT.org) – Bento XVI convidou os fiéis hoje a dirigirem o olhar ao Sagrado Coração de Jesus, para estarem dispostos a um seguimento radical do Senhor.
Ao rezar, ao meio-dia, a oração do Ângelus junto a milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro neste último domingo do mês de junho, o Papa retomou o tema do chamado de Cristo e de suas exigências.
“Hoje, eu gostaria de convidar todos vós a contemplar o mistério do Coração divino-humano do Senhor Jesus, para extrair água da própria fonte do amor de Deus”, disse.
“Quem fixa seu olhar nesse Coração atravessado e sempre aberto por amor a nós, sente a verdade desta invocação: ‘Ó Senhor, sois minha herança e minha taça’, e está pronto para deixar tudo por seguir o Senhor”, acrescentou.
O Pontífice destacou que “um jovem ou uma moça que deixa sua família de origem, os estudos ou o trabalho para se consagrar a Deus” é “um exemplo vivo de resposta radical à vocação divina”.
E garantiu que “esta é uma das experiências mais belas que existem na Igreja: ver, tocar com a mão a ação do Senhor na vida das pessoas; experimentar que Deus não é uma entidade abstrata, mas uma Realidade tão grande e forte como para preencher de uma maneira superabundante o coração do homem; uma Pessoa viva e próxima, que nos ama e pede ser amada”.
Também se referiu à “novidade e a prioridade absoluta do Reino de Deus que se faz presente na própria Pessoa de Jesus Cristo” e à “radicalidade que é devida ao amor de Deus, ao qual Jesus mesmo por primeiro obedece”.
Bento XVI continuou falando do seguimento radical da vocação divina indicando que “quem renuncia a tudo, inclusive a si mesmo, para seguir Jesus, entra em uma nova dimensão da liberdade”.
“Liberdade e amor coincidem! Ao contrário, obedecer ao próprio egoísmo conduz a rivalidades e conflitos”, concluiu.
Novas vocações sacerdotais, resultado de esforços de colaboração
21/04/10
Bispos do EUA lançam um website de promoção vocacional
WASHINGTON, D.C., quarta-feira, 21 de abril de 2010 (ZENIT.org).- Um estudo sobre candidatos ao sacerdócio deste ano nos EUA demonstra que as vocações são resultado da colaboração entre o clero, as famílias e todo o Povo de Deus.
A Conferência Episcopal dos EUA informou a 16 de abril sobre a pesquisa The Class of 2010: Survey of Ordinands to the Priesthood.
Trata-se de um projeto de investigação anual encarregado pela conferência episcopal e realizado pelo Centro de Pesquisa Aplicada ao Apostolado, da Universidade Georgetown.
“A maioria dos que vão ser ordenados foi católica desde seu nascimento”, explica o presidente da Comissão para o Clero, Vida Consagrada e Vocações do organismo episcopal, cardeal Sean O’Malley, de Boston.
E continua: “quatro de cada cinco informam que seus pais são católicos; quase oito em cada dez foram animados por um sacerdote a considerar o sacerdócio”.
“Isso fala da função essencial que o conjunto da Igreja deve desempenhar na promoção das vocações”, afirma.
O cardeal destaca que quase três quartos dos seminaristas entrevistados neste ano afirmam ter servido antes como coroinhas, leitores, ministros da Eucaristia ou como outro agente paroquial.
“Uma tendência evidente neste estudo é a importância de uma formação permanente e um compromisso na fé católica”, assinala.
92% dos homens tiveram um trabalho a tempo completo – o âmbito da educação é o mais assinalado – antes de entrar no seminário.
Três em cada cinco homens que vão ser ordenados completaram estudos universitários antes de entrar no seminário, e um em cada cinco também recebeu um título de pós-graduação.
Um terço deles entrou no seminário quando estava na universidade. Na média, afirmam ter considerado a vocação sacerdotal ao redor dos 18 anos.
Família
O homem mais jovem que vai se ordenar este ano tem 25 anos, e 11 deles têm 65 anos ou mais.
37% dos que vão receber a ordenação sacerdotal têm um parente sacerdote ou religioso.
Dois terços da turma assinalam que rezavam regularmente o terço e participavam em adorações eucarísticas antes de entrar no seminário.
A maioria deles tem mais de dois irmãos, e 24% dizem ter cinco ou mais irmãos e irmãs.
70% indicam ser de ascendência americana/europeia/branca, enquanto que 13% se afirmam hispânicos/latinos; e 10%, asiáticos ou das ilhas do Pacífico.
Quase um terço da turma nasceu fora dos EUA. A maioria vem do México, Colômbia, Filipinas, Polônia e Vietnã.
A pesquisa foi enviada a 440 candidatos ao sacerdócio. Foi respondida por 291 homens que vão ser ordenados diocesanos e por 48 que pertencem a ordens religiosas.
A conferência episcopal publicou todo o informe em seu website, assim como em uma nova página da internet dedicada à promoção do sacerdócio.
Papa: missão da Igreja é anunciar amor misericordioso de Deus
11/04/10
Intervenção por ocasião do “Regina Caeli”
CASTEL GANDOLFO, domingo, 11 de abril de 2010 (ZENIT.org).- A missão da Igreja é mostrar o rosto misericordioso de Deus, recordou Bento XVI neste domingo, durante a oração do Regina Caeli, no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, onde está passando alguns dias de descanso, após as celebrações pascais.
O Papa recordou que o 2º domingo da Páscoa é chamado, desde a Antiguidade, de in albis, do nome latino alba, “dado pela vestidura branca que os neófitos usavam no Batismo, da noite da Páscoa”.
“O venerável João Paulo II – acrescentou – dedicou este mesmo domingo à Divina Misericórdia, por ocasião da canonização de Maria Faustina Kowalska, no dia 30 de abril de 2000.”
“Hoje, domingo, termina a Oitava da Páscoa, como um único dia ‘feito pelo Senhor’, marcado pelo distintivo da Ressurreição e pela alegria dos discípulos ao ver Jesus”, observou.
A passagem do dia, tomada do Evangelho de São João (20, 19-31), recorda a visita de Jesus aos discípulos, atravessando as portas fechadas do Cenáculo.
“Jesus mostra os sinais da Paixão, até permitindo ao incrédulo Tomé que os tocasse. Como é possível, no entanto, que um discípulo possa duvidar?”, perguntou-se o Papa.
“Na verdade, a condescendência divina nos permite tirar proveito também da incredulidade de Tomé, e não só dos discípulos crentes. De fato, tocando as feridas do Senhor, o discípulo vacilante cura não somente sua própria desconfiança, mas também a nossa.”
“A visita do Ressuscitado – prosseguiu – não se limita ao espaço do Cenáculo, mas vai além, para que todos possam receber o dom da paz e da vida com o ‘Sopro criador’.”
“De fato, em dois momentos, Jesus disse aos discípulos: ‘A paz esteja convosco’. E acrescentou: ‘Como o Pai me enviou, também eu vos envio.’ E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: ‘Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos’.”
“Esta é a missão da Igreja, perenemente assistida pelo Paráclito: levar a todos o alegre anúncio, a gozosa realidade do amor misericordioso de Deus, ‘para que – como diz São João – acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome’.”
À luz disso, no Ano Sacerdotal em curso, Bento XVI exortou particularmente “todos os pastores a seguirem o exemplo do Santo Cura de Ars, que, no seu tempo, soube transformar o coração e a vida de muitas pessoas, porque conseguiu fazer-lhes sentir o amor misericordioso do Senhor”.
“Também hoje é urgente igual anúncio e testemunho da verdade do Amor”, concluiu o Pontífice.
“Dessa forma, tornaremos cada vez mais familiar e próximo Aquele que nossos olhos não viram, mas de cuja infinita misericórdia temos certeza absoluta.”
Oração à Nossa Senhora Mãe, Rainha e Vencedora
31/01/10
Ó minha Senhora e minha Mãe! Eu me ofereço todo a vós e, em prova de minha devoção para convosco, vos consagro neste dia meus olhos, meus ouvidos, minha boca, meu coração e inteiramente todo o meu ser.
E porque assim sou vosso, ó incomparável Mãe, guardai-me e defendei-me como coisa e propriedade vossa.
Amém.
Oração à Santa Filomena
31/01/10
Gloriosa Virgem e Mártir Santa Filomena, que do céu, onde reinais, vos comprazeis em fazer cair sobre a terra benefícios sem conta, de todo o coração bendigo ao Senhor pelas graças que vos concedeu durante a vida e sobretudo na hora da vossa morte.
Louvo-O e bendigo-O também pela honra do poder de que Ele hoje vos coroa e, neste instante humildemente imploro que me obtenhais de Deus as graças (pedido) que lhe peço neste momento por vossa poderosa intercessão.
Assim seja.
Santo Apolinário
29/01/10
Claudius Apollinaris, Bispo de Hierápolis em Phrygia. Era um notável professor do cristianismo no segundo século. Seus escritos em defeza da fé católica impediu vários erros, inclusive as heresias dos Encratites e dos Montanistas. Sua filosofia descrevia as raízes do erro e foi um notável defensor da fé. Seu mais famoso trabalho “A Apologia dos Cristãos” foi escrito para o Imperador Marcus Aurelius cerca de 175 DC. Neste trabalho ele descreve um milagre que trouxe a vitória do Imperador contra os Germanos com o seu exército cercado na Morávia, e ameaçado de aniquilação, não fosse um milagre atribuído por Apolinário, às orações da 12a Legião, a sua maioria cristãos.
Santo Apolinário enumera vários benefícios que a cristandade deu a sociedade romana e pede ao Imperador que não perseguisse e punisse os seguidores do cristianismo, o que resultou em uma publicação de um Edito do Imperador proibindo a perseguição dos cristãos apenas por sua religião. Infelizmente, nenhum dos seus outros trabalhos sobreviveu ao tempo.
Faleceu em 180 DC.
Sua festa é celebrada no dia 8 de janeiro
São João Diego
29/01/10
São João Diego
Conhecido tambem como Juan Diego Cuauhtlatoatzin
Juan Diego nasceu em 1474 em Cuauhtitlan (México). O seu nome era Cuauhtitlantoadzin; baptizado em 1524, com 50 anos de idade, mudou o nome para Juan Diego segundo o hábito dos missionários que davam o nome de João a todos os batizados, acrescentando-lhe outro particular, neste caso Diogo, conservando entretanto o nome indígena.
O seu batismo foi fruto de uma convicção profunda, mudando o seu pensamento, o seu ser e o seu modo de vida. Também se batizaram alguns dos seus parentes, entre os quais um tio a quem foi dado o nome de João Bernardino e sua esposa recebeu o nome de Maria Lúcia.O missionário responsável pela evangelização e catequização desta tribo foi o franciscano Frei Toríbio de Benavente. Juan Diego tornou-se um cristão fervoroso e fazia um percurso de vinte quilometros, na ida e volta, para participar na santa Missa em Tlatelolco. Aproveitava estas celebrações para aumentar a sua instrução religiosa e, ao mesmo tempo, venerar a Virgem Mãe de Jesus. Isto revela a profundidade da sua fé e Juan Diego começou a ser conhecido como homem piedoso, de intensa espiritualidade, amigo da oração e concentrado na meditação dos mistérios religiosos.
Tido como peregrino e, ao mesmo tempo, solitário, a sua fé era vivida com fervor até ao sacrifício. Pobre e humilde, fugindo às honras, nada amigo da confusão, demonstrou sempre uma atitude positiva perante os novos valores cristãos, onde a pureza de vida ganhou uma forma original, pois casou com Maria Lúcia, outra cristã, de quem ficou viúvo pouco depois. Constava que viviam como irmãos, fruto da sua livre escolha.
Nesta ocasião, vivia em Tulpetlac, perto do seu tio, com quem permaneceu após a morte da sua esposa, ajudando-o nos trabalhos do campo.
A 9 de Dezembro de 1531, Juan Diego dirigia-se como de costume à celebração eucarística quando, em Tepeyac, ouviu uma voz que o chamava como se há muito o conhecesse e o esperasse, convidando-o para lhe falar e confiar uma missão. Ouviu: “Diego, Dieguito!” Olha o céu azul e vê uma Senhora que o convida a aproximar-se e entre eles estabelece-se um pequeno diálogo.
“Dieguito, o mais pequeno dos meus filhos, onde vais?”.
“Senhora, minha pequena, vou a tua casa, na cidade, para participar nas coisas divinas e aprender os ensinamentos que nos dão os nossos sacerdotes, delegados do nosso Senhor”.
“Quero que tu, o mais pequeno dos meus filhos, saiba que eu sou a sempre Virgem Maria, Mãe do verdadeiro Deus, Aquele que cria todas as coisas, dá a vida e é Senhor do céu e da terra. Eu sou também a vossa Mãe, cheia de misericórdia, e por isso desejo vivamente que aqui me seja construído um templo, para que nele possa mostrar o meu amor, a minha compaixão, dar-te ajuda e defesa a ti, aos habitantes deste lugar, a todos os meus devotos que me invocam e têm confiança em mim. Neste lugar, quero ouvir os seus lamentos, vir ao encontro de todas as suas misérias, sofrimentos e dores. Agora, para realizar quanto deseja a minha benignidade, deves ir à casa do prelado do México para lhe dizer que sou Eu que te envio. Manifestar-lhe-ás o meu desejo de ter aqui um templo na esplanada. Presta atenção para lhe dizer tudo quanto viste e ouviste. Prometo-te a minha proteção, far-te-ei feliz e dar-te-ei uma grande recompensa por este dever difícil que te confio. Agora que conheces a minha vontade, meu filho tão pequenino, vai e põe nisto toda a tua diligência”.
Ele inclinou-se diante da Senhora e disse-lhe:
“Minha Senhora, vou fazer já o que me mandas. Eu sou o teu humilde servo. Vou-me agora “.
Juan Diego chega à casa do bispo, a quem expõe as palavras da Senhora, mas ele, desconfiando da ingenuidade destas palavras, pede um sinal daquilo que aconteceu. Volta ao lugar da visão e expõe à Senhora o seu conflito interior:
“Senhora, minha pequena, a mais pequena das minhas filhas, fui cumprir as tuas ordens e cheguei com algumas dificuldades a falar com o homem indicado, expondo-lhe a tua vontade como me tinhas ordenado. Não o posso negar: fui recebido dignamente e ouvido com atenção, mas pelas palavras de resposta, tive a impressão de não ter sido acreditado. Ele recomendou-me que voltasse, para indagar sobre as intenções da minha visita. Compreendi, porém, claramente que ele considera a proposta da construção de uma igreja mais como uma minha invenção do que uma ordem Tua. E agora eu peço-te, minha Senhora e minha pequena, para que ele nos acredite, que Tu dês esta missão a outra pessoa, a alguém que seja uma personalidade conhecida, respeitada e bem vista. Eu sou um pobre homem, um ser que nada vale, alguém insignificante, uma simples folha, e Tu, Senhora, minha pequena, a mais pequena das minhas filhas, mandas-me a um lugar aonde eu não tenho o costume de ir e muito menos de permanecer. Senhora, minha patroa, assim, sou um peso e nada poderei fazer”.
Sempre sorridente e amável, a Senhora respondeu-lhe:
“Escuta meu filho, o mais pequeno de todos, e sabe que muitos são os meus devotos e servidores, a quem eu poderia confiar o encargo de levar a minha mensagem para realizar o desígnio que tenho em mente. Mas a minha escolha já foi feita. Eu quero que sejas tu mesmo a colaborar comigo, para atingir a minha finalidade. Então, meu filho, o mais pequeno de todos, eu recomendo-te e até te ordeno categoricamente que tu, já amanhã, voltes a ver o prelado. Fala-lhe em meu nome e diz-lhe com franqueza que é minha vontade que o templo se construa. Repete-lhe, ainda, que sou Eu mesma a mandar-te, a sempre Virgem Maria, Mãe de Deus”.
Juan Diego volta à casa do prelado, Frei João de Zumárraga, que lhe pede um sinal. Fez-lhe várias perguntas, a que ele respondeu com exatidão, não deixando dúvidas de que era verdadeiramente a Santíssima Virgem que lhe tinha falado.
Juan Diego não perdeu a coragem e perguntou-lhe:
“Senhor, se me dás a saber que sinal queres, eu corro já a pedi-lo à Senhora do Céu que me enviou aqui”.
Logo que ele saiu, Frei João de Zumárraga mandou que alguns dos seus criados o seguissem, vissem por onde andava e com quem se encontrava para falar, mas a uma certa altura Juan Diego desapareceu e eles não o puderam encontrar.
É então que acontecerá o dia dos “sinais”.
Chegando à casa do tio, encontrou-o muito doente, deitado na sua rede, em estado febril e com a pele cheia de manchas vermelhas e toda banhada de sangue. Era a peste. Foi à procura de um médico. Encontrou-o no dia seguinte, mas quando lhe explicou como estava o tio, ouviu uma palavra “Cocolitzi”, a terrível peste dessa época.
Humanamente, era incurável, dado o estado em que o enfermo se encontrava. João Bernardino piorava a olhos vistos e, como bom cristão, pediu ao sobrinho que fosse a Tlatelolco para procurar um sacerdote, a fim de que o confessasse e com ele rezasse.
Juan Diego partiu dividido entre dois deveres: encontrar-se com a Senhora e chamar o sacerdote. Os dois compromissos estavam em colisão nesse momento. Que fazer? Qual deles escolher? E pensava: “Se vou encontrar a Senhora, para receber o sinal prometido, sem dúvida será preciso algum tempo, enquanto o meu tio permanece à espera, e não pode aguardar muito tempo. Penso que o meu principal dever, agora, é chamar o sacerdote”.
Mas olha para a montanha, pensando no tio e na Senhora. Eis que Ela vem ao seu encontro e diz:
“O que é, meu filho tão pequeno, onde vais?”.
“Senhora, minha filha, a mais pequena das minhas filhas, vejo que te levantaste muito cedo e desejo que estejas bem. Como desejaria que estivesses contente! Mas devo dar-te uma má notícia: o meu tio, teu servo, está muito mal, ferido pela peste e já em agonia. Devo ir a toda a pressa à casa da tua cidade, para chamar um dos sacerdotes amados pelo nosso Senhor, para que vá consolá-lo e ajudá-lo a morrer bem. Cada um de nós, desde que nasce, é destinado à morte. Agora, minha Senhora e minha pequena, devo ir primeiro cumprir esta obrigação. Depois, voltarei aqui para receber a tua mensagem. Perdoa-me, tem paciência comigo! Eu não te engano, minha Filha pequenina. Logo que for possível, voltarei, amanhã”.
A Senhora fixava nele o seu olhar com particular intensidade. Juan Diego estava ajoelhado, de rosto voltado para Ela, com o seu manto branco envolvendo o seu ombro direito, com as mãos juntas, em atitude de súplica.
A Senhora disse-lhe amavelmente:
“Escuta, meu filho, o mais pequenino dos meus filhos e procura compreender bem. O teu coração está perturbado mas não te aflijas por uma coisa de nada. Nenhum deste gênero de males deve ser para ti um motivo de preocupação. Estou aqui, sou a tua Mãe. Estás sob a sombra da minha proteção. Eu sou a tua salvação. Tu estás no meu coração. De que tens, ainda, necessidade? Não sofras mais por isto. Quanto ao teu tio, sabe uma coisa: ele não morrerá desta doença. Assim, não há nenhuma necessidade de médico, já está curado”.
Ao ouvir estas palavras, Juan Diego sentiu o seu coração cheio de felicidade. Não duvidou de modo algum, sentindo-se como uma criança, abandonada nos braços da sua mãe. Nem sequer lhe pediu para ir ver o seu tio. Ficou à sua completa disposição.
A Senhora mandou que fosse à montanha, onde se tinham dado as primeiras três aparições, e disse-lhe:
“No píncaro da colina, encontrarás a surpresa de flores desabrochadas. Só tens de as colher e trazer aqui. Vai, espero por ti!”.
Juan Diego enfrentou a subida como se tivesse asas nos pés, dominado como estava pela alegria e por uma luz que invadia o seu coração e tinha dissipado todas as nuvens de tristeza. Ficou arrebatado com o espetáculo maravilhoso que se apresentava diante dele. Conhecia bem o lugar de rochas áridas, onde só cresciam cactos, espinhos, figos da Índia e moitas, talvez pudessem nascer alguns tipos de ervas daninhas na Primavera ou no Verão, mas não agora, quando o frio queimava todo o germe de vida.
Era o dia 12 de Dezembro. Ele olhou e viu o espetáculo de muitas flores desabrochadas e intenso perfume. Conhecia o índio aquelas rosas, rainha das flores, como naturais das culturas mexicanas? Eram as rosas, hoje conhecidas como a “beleza espanhola”, a que os mexicanos chamavam “rosa de Castela”, havia pouco chegada de além-mar.
Juan Diego colheu as rosas, pô-las no seu manto e decidiu caminhar para a casa do Bispo, levando consigo o “sinal” pedido. Levava ainda uma recomendação: “Não mostres a ninguém o que tens no manto!”.
À chegada ao palácio episcopal, o mordomo e outro criados a quem expôs o pedido para falar com o Bispo, receberam-no como se não o tivessem ouvido, para ele desanimar e ir embora. Ele ali ficou à espera de ser recebido, sempre com o seu manto dobrado, para que ninguém visse o que trazia. Mas o perfume das flores acabou por complicar a situação. Todos queriam saber de onde vinha, e quando reconheceram as rosas de Castela, todos deitaram a mão ao manto para obter pelo menos uma flor. Momento difícil para Juan Diego, que tinha de defender o seu tesouro. Finalmente, foi recebido pelo bispo, a quem disse:
“Senhor, exprimiste o desejo de receber um sinal para poderes acreditar em mim e dares início à construção do templo. Levei o pedido à minha Senhora, Santa Maria, Mãe de Deus, que não teve dificuldade em acolhê-lo. Hoje de manhã, mandou-me subir ao cimo da colina, onde a tinha visto noutras vezes, com o encargo de colher ramos de flores. Mesmo sabendo que aquilo não era um jardim, mas um lugar cheio de espinhos, fui da mesma forma. E encontrei como que um jardim do paraíso, muitas flores cintilantes, molhadas pelo orvalho. Ela recomendou-me que voltasse aqui, para as trazer só a ti, como o sinal que pediste, para que te convenças de que vim por sua ordem, e decidas fazer a sua vontade. As flores estão aqui comigo: ei-las!”.
Naquele instante, todos abriram a boca de espanto e o Bispo ajoelhou-se, juntou as mãos diante do índio que, por sua vez, se tinha levantado. Parecia que se invertiam as posições.
Para surpresa de todos, o “sinal” das flores colhidas fora da estação era ultrapassado por um prodígio impensável. No manto simples (“tilma”) de Juan Diego aparecia impressa em todo o seu comprimento a imagem da Virgem Santa com o seu rosto de mansidão, mãos juntas, com a túnica cor de rosa até aos pés, o manto azul e dois grandes olhos brilhantes que pareciam vivos.
A exemplo do Bispo todos ajoelharam, perturbados e, ao mesmo tempo, cheios de alegria, com o sentido de viva devoção, acompanhados pelas lágrimas de muitos. Foi o próprio prelado a interromper o silêncio, para pedir perdão a Maria por ter sido tão hesitante em acolher o sinal da sua vontade. Depois, levantou-se e, desatando o nó do manto no ombro de Juan Diego, tirou-lhe a túnica onde até hoje está impressa a imagem sagrada, para a colocar num lugar de honra, no seu oratório particular.
A partir de então, Juan Diego teve de aceitar o convite para permanecer no palácio episcopal como hóspede de honra.
Em breve, começaram as obras de construção de uma pequena ermida, que foi sendo sempre renovada até chegar à atual Basílica, inaugurada em 1976. Na inauguração da ermida primitiva, participaram muitos fiéis, inclusivamente Hernán Cortés, então governador espanhol, também ele curado (de uma mordedura de um escorpião) por intercessão de Maria. O entusiasmo arrastou idosos e jovens, que participaram com alegria na celebração.
Era como se um povo novo nascesse de um império destruído e, de repente, acordado de um sono profundo que durou dez anos, mas sintoma de uma tomada de consciência social muito válida para construir um futuro diferente. Juan Diego morreu no dia 3 de Junho de 1548, com 74 anos de idade.
Considerava-se como propriedade da Virgem Maria, com Ela percorrendo os caminhos da santidade. Em 1566, esse lugar começou a chamar-se Guadalupe, da raiz etimológica indígena Cuatlaxupeh. Hoje a devoção à Senhora corre o mundo; por toda a parte é conhecida a Senhora de Guadalupe, Padroeira do México e do Continente americano. A sua imagem esteve presente na batalha de Lepanto. Maria começa, então, a ser invocada como Rainha da Vitória e Auxílio dos Cristãos, assumindo um significado de esperança e de promessa. João Paulo II chamou-lhe “Mãe da América”, na oração final da Exortação apostólica pós-sinodal “Ecclesia in America”.
Juan Diego foi beatificado pelo Papa João Paulo II em 6 de Maio de 1990, no México, e canonizado pelo mesmo Pontífice em 31 de Julho de 2002.
Sua festa é celebrada no dia 9 de dezembro.
Santa Efigênia
29/01/10
Santa Efigênia filha de pais gentios, príncipes e senhores do Reino da Núbia, que jazia , como todos os seus habitantes mergulhados nas trevas do paganismo. Esta circunstancia seria um péssimo prognostico para Efigênia se aqui não entrasse o dedo de Deus com sua infinita misericórdia.
Haviam decorridos já oito anos após a gloriosa ascensão do Nosso Senhor Jesus Cristo, quando penetrou no Reino da Núbia o claríssimo resplendor da luz da Fé. O portador da nova Lei neste reino e em outros reinos da Etiópia foi o Apóstolo e Evangelista São Mateus , destinado a implantar a nova crença nestas regiões.
Mateus dirigiu-se, primeiramente a Noba, metrópole do Reino e Pátria de Efigênia. Eram coadjutores do apóstolo alguns carmelitas , que o acompanhavam nesta missão com o intento de estabelecerem na capital da Núbia , a fé cristã e a vida monástica.
Logo que o apóstolo começou a pregar , não só foram mal recebidas suas palavras como também ele foi tido como louco por aqueles infiéis.
Só a princesa Efigênia resolutamente se inclinou a notícia de um só Deus verdadeiro, que lhe dão alguns amigos do apóstolo e se dispõe a detestar a falsidade do paganismo que agora parece repugnante ao seu esclarecido entendimento.
Porem havia o demônio introduzido na capital da Núbia dois malévolos e fraudulentos homens que reputados por Sumos Sacerdotes dos Ídolos e como tal ditava aos ignorantes os seus falsos oráculos; e eram não só respeitados dos vassalos mas até temidos pelos Soberanos.
Quando se certificaram da chegada e do intento do Apóstolo Mateus, desconfiados dos resultados que havia de prosseguir com a Nova Crença já tão cara a Princesa Efigênia, começaram a espalhar por toda a Corte incessantes queixas com o Soberano que em vilipendio dos pátrios deuses , admitia no reino pessoas, como o apóstolo que ultrajavam os seus deuses ! Chegaram a persuadir ao Rei que os deuses irritados só poderiam ser aplacados c com o sacrifício de Efigênia e os estragos vacinados contra Núbia só poderiam ser conjurado se e quando a Princesa Efigênia fosse consumida dentro de um odorífero e sagrado incêndio e oferecida aos deuses. Ouvida atentamente a persuasão daqueles impostores, determinou-se o Rei a fazer a sua diabólica vontade.
Destinada às chamas de uma fogueira como vitima dos falsos deuses, soube Efigênia aguardar o tempo do sacrifício e oferecer-se como hóstia ao verdadeiro Criador. Animada pelo Apóstolo com a certeza de sua vitória sobre os acérrimos inimigos , recebeu sua benção e intrépida pôs-se a esperar a hora do combate.
Ergueu-se uma aparatosa fogueira de troncos e odoríferos e plantas aromáticas em forma de um trono. No momento em que a chama com violência se ateou as madeiras, levantou a Princesa Efigênia a voz, e invocando altamente, segundo instrução do Apóstolo o sagrado nome de Jesus! De repente desceu dos céus ao Templo um anjo que inesperadamente arrancou a Princesa das mãos dos verdugos tornando-a invisível aos olhos dos seus inimigos!
Efigênia após o portento de sua miraculosa libertação, redobrava seus esforços e crescia cada vez mais em zelo pela introdução da Fé Cristã no palácio real e em toda a Núbia. Efigênia já estava suficientemente catequizada e tinha a Fé necessária para receber o batismo, mas o santo Evangelista por inspiração divina diferiu para melhor oportunidade a sua celebração. A Divina Providencia dispôs as coisas de forma que o Apóstolo tinha a oportunidade para administrar a sua discípula o primeiro de todos os sacramentos, pois, não havia obstáculo algum.
Com o milagre que o Santo fez a favor desta gente, que era muito tímida, livrando-a do flagelo dos dragões, o povo começou a dar maior crédito as palavras do Apóstolo, porem confirmou-se muitos na fé quando viram São Mateus ressuscitar o filho do Rei, e Príncipe Real, o que não puderam fazer os Sacerdotes dos falsos deuses. O Rei e a rainha converteram-se com toda a casa real e a nobreza, e uma grande parte do povo imitaram o seu exemplo. Foi então que o apóstolo determinou a celebração do batismo de Efigênia e no dia prefixado, com toda a solenidade, foi a formosa Efigênia regenerada nas águas do batismo. Assinalada com o sinal da cruz na fonte e no coração Efigênia glorificou Deus constantemente e O trouxe sempre no coração. A realização do compromisso solene, que a Princesa da Núbia tomou no seu batismo, foi tanto mais meritória, quanto sua posição social que lhe dava mais freqüentes ocasiões de triunfar no mundo. Efigênia sempre fiel as obrigações do batismo, jamais desmentiu as promessas que fez a Deus e nem o demônio, nem o mundo e suas vaidade tiveram jamais entrada no seu coração.
Estando , finalmente vencidos os inimigos da fé e estabelecida na Núbia a Igreja de Jesus Cristo , começou a santa Efigênia a ser naquele místico Céu da Igreja nascente, um sol de santidade. Exercitava todas as virtudes com reta intenção de agradar ao seu Deus e Senhor , a aquele que amava sobre todas as cousas. Oh! como era admirável o zelo , a dedicação de Efigênia para que Jesus Cristo fosse de todos cada vez mais conhecido e amado.
Eis porque Efigênia não se contentava com amar a Deus, mas queria que todos O amassem e servissem. Era esse zelo intenso que lhe causava no espirito um santa aflição de descobrir como servir ao Divino Mestre da melhor forma. Lutando com este suave desassossego foi uma dia maravilhosamente arrebatada e recebeu de Jesus Cristo, seu único e amabilíssimo Bem, a seguinte revelação : ” Efigênia, se pretendes saber o modo conveniente de me servires, conforme a minha Divina Vontade, faz-te generalíssima de um exército de Virgens pobres, obedientes e castas que, renunciando , voluntariamente , ao século, consigam o inestimável brasão de serem esposas Minhas, sem detrimento de sua inviolável pureza” Grande foi a dedicação e generosidade de Efigênia em cumprir a ordem que recebeu de seu Divino Esposo.
É inexprimível a perfeição com que Efigênia consagrou ao Senhor toda a sua liberdade e a prontidão com que obedecia aos Conselhos Divinos era insuperável. Grande era o zelo de Efigênia em conhecer e cumprir a vontade de Deus.
Tendo o evangelista Mateus explicado a Efigênia o verdadeiro sentido da revelação divina com que acabara de ser favorecida, não duvidou Efigênia do que lhe cumpria fazer. Sem perda de tempo, declarou-o a seus pais e providenciou a construção de um edifício que ia ser a morada daquele Exercito de Virgens. As donzelas nubienses atraídas pela virtude de Efigênia e convencidas do que lhes declarava a ilustre Princesa, bem depressa, se lhes mostraram deliberadas a segui-la nesta empresa. Era preciso uma eloquência mais que humana, para declarar o que se passou na Profissão Religiosa de Efigênia. Chegado aquele faustoso dia e preparado tudo no Templo, esperava São Mateus a hora que a Princesa Núbia entrasse, para celebrar com o Divino Esposo as desejadas núpcias. Perante todos, na presença de seus augustos pais, da Nobreza e do povo, genuflecta e humilde Efigênia ouviu a pregação de São Mateus sobre a excelência das três virtudes angélicas (obediência, castidade e pobreza) e estavam presentes os Carmelitas, coadjutores de S Mateus. Deles recebeu a exemplaríssima Regra que entregou a Efigênia para seguir e fazer o seu Régio Convento Carmelita. O santo Apóstolo investiu Efigênia o hábito preto e a capa branca da sagrada ordem da Religião do Carmo.
Santa Efigênia a todas as religiosas excedia nas obras sendo para todas um verdadeiro e fiel modelo de perfeição. Era o Evangelho vivo e pondo nela os olhos, as religiosas não careciam de outros exemplos. Era na Ordem das Carmelitas Pobres , uma arvore frondosa carregada de graças, de benções e de merecimentos.
Mas para Efigênia soou a hora de sua provação Seu coração terno e meigo despedaçou-se ao saber da morte de seus progenitores. Ela os amava com tanta ternura que deu livre curso as a suas lagrimas. Porem a sua fé viva e seu fervor angélico de novo lhe fizera considerar que era Deus quem assim o quis e longe de murmurar ela beijou a mão paterna que só fere para sarar. Em breve a perseguição e a ingratidão vieram a se juntar a amargura de suas magoas. Havia na corte um altivo e ardiloso Príncipe, irmão do falecido e tio de Efigênia ,chamado Hirtaco. Este levantou-se violentamente contra a herdeira da corte e arrebatou das mãos de Eufrônio, irmão de Efigênia o Cetro de Monarca da Núbia. Avista de tão abominável insolência ficou Efigênia ao lado de seu irmão, visto saber a intenção do usurpador, que era tirar a vida de seu irmão Eufronio. Outro golpe mais cruel e desumano veio aumentar o mar de tribulações com que lutava Efigênia.
O seu mestre São Mateus cai morto junto ao altar-mór onde celebrava o Santo Sacrifico, traspassado pela gladio assassino do intruso Rei da Núbia. Mateus não quis aprovar a pretensão de Hirtado e foi o que bastou para receber a coroa do martírio.
Efigênia esperava também que lhe fosse dado segui-lo, na gloria do Martírio, porque tendo rejeitado com firmeza a proposta do tirano de aceita-lo como esposo, entendia que o castigo de tão virtuosa resistência havia de ser o seu sangue derramado.
Deus porem estava empenhado nos triunfos da invencível Princesa, como mostrou a seguinte maravilha: O tirano mandou por fogo no Convento onde a santa Princesa residia com suas companheiras. As armas da defesa que tomou forma as orações:
Pediu a Deus, não a conservação de sua vida mas o castigo de Hirtaco que merecia, pela irreverência que fazia ao Sagrado Templo. Imediatamente com assombro geral se extinguiu e desapareceu das paredes do Convento o artificioso incêndio e por mão invisível se ateou fogo no Palácio do Tirano ,uma chama tão repentina e forte que em breve o palácio e o tempo foram reduzidos a cinzas, deixando nele apenas as ruínas.
O povo a vista de tal maravilha, cheio de alegria e consolação, corre ao Convento a dar graças a Deus e a felicitar Santa Efigênia pelo triunfo, proclamando-a libertadora da Núbia! Desde então foi tida e invocada como Advogada contra os incêndios!
A morte para uma fiel esposa de Jesus Cristo é a união completa com o seu bem amado. Para a gloriosa Santa Efigênia chegara o momento de unir-se ao seu querido esposo. Como São Paulo ela havia combatido o bom combate .A semelhança de Francisco de Assis ela só vivia para Jesus. Vivendo toda absorta em Deus, a bem aventurada donzela teve do Céu um aviso, de que era chegado o tempo de passar das trevas do mundo a claridade do Paraíso, feliz pátria dos justos! Recebeu Efigênia esta noticia como a mais agradável e jubilosa alegria. Nada mostrou de tristeza. Começou a dispor de tudo , até que uma aguda e mortal enfermidade serviu para todas as suas companheiras de aviso de que a sua Mestra e Prelada dentro em breve não mais seria deste mundo.
Já nas ultimas semanas de sua vida, a auréola dos Santos brilhava ao redor de sua fonte. Recebeu toda a ternura e a devoção do Sagrado Viático. Permaneceu absorta em contemplação durante todo o dia e como que inebriada por esse sangue de Vida que pela ultima vez, na terra , acabava de haurir.
Exalou seu puríssimo espírito, tomando dele posse o Divino Esposo, para colocar na Gloria. Um perfume suave a espalhou-se ,imediatamente , por todo o Convento. Ouvia-se nos ares, um coro de vozes celestiais ,cantando as palavras: “Abandonei o reino do mundo pelo amor do Nosso Senhor Jesus Cristo ” Regnun Mundi contempsi, propter amorem Domini Nostri Jesus Chiristi” .
Santa Efigênia é a padroeira dos militares e em Belo Horizonte, Minas Gerais, no bairro de Santa Efigênia temos uma igreja com o seu nome ” Matriz de Santa Efigênia dos Militares”
Sua festa é celebrada no dia 21 de setembro.







