Anunciando o Evangelho
Artigos com o marcador Papa Bento XVI
Anglicanos dos EUA solicitarão um ordinariado católico
08/03/10
Espera-se que 5.200 entrem em comunhão com a Igreja
ORLANDO, segunda-feira, 8 de março de 2010 (ZENIT.org).- Os líderes da Igreja Anglicana nos EUA da Comunhão Anglicana Tradicional responderam ao convite de Bento XVI a entrar na plena comunhão com a Igreja Católica.
A constituição apostólica Anglicanorum Coetibus, publicada no mês de novembro passado, ofereceu aos grupos anglicanos uma maneira de ingressar na Igreja Católica, através do estabelecimento de ordinariados pessoais, um novo tipo de estrutura canônica.
Assim, podem conservar elementos de suas tradições litúrgicas e espirituais e ao mesmo tempo estar unidos sob a autoridade do Papa.
Na quarta-feira passada, a Casa dos bispos da Igreja Anglicana nos Estados Unidos anunciou que manteve um encontro em Orlando “com nosso Primaz, o reverendo Christopher Phillips, da paróquia ‘de uso anglicano’ de Nossa Senhora da Expiação (San Antonio, Texas) e outros”.
“Neste encontro – continua o comunicado – tomou-se a decisão formal de solicitar a aplicação das disposições da Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus nos Estados Unidos da América, pela Congregação para a Doutrina da Fé.”
A Anglican Church in America (ACA), que tem 5.200 membros em 100 congregações, é diferente da Igreja Episcopaliana. Não forma parte da Comunhão Anglicana, que tem como primaz o arcebispo de Cantuária.
A ACA foi criada em 1991 quando alguns membros da Igreja Católica Anglicana e da Igreja Americana Episcopaliana uniram-se através da formação de uma nova Igreja. O atual presidente da Casa dos bispos da ACA é o arcebispo Louis Falk.
A Comunhão Tradicional Anglicana, que tem 400.000 membros em todo o mundo, tem como primaz o arcebispo John Hepworth, da Igreja Católica Anglicana na Austrália. Os líderes desta comunhão enviaram uma carta à Santa Sé em outubro de 2007, para pedir a plena unidade à Igreja Católica.
Declararam sua adesão à doutrina católica, mas expressaram seu desejo de conservar algumas tradições anglicanas distintivas.
A carta foi recebida pela Congregação para a Doutrina da Fé, que respondeu em julho de 2008 com o compromisso de considerar esta possibilidade.
No ano seguinte, a 20 de outubro de 2009, o prefeito da congregação, o cardeal William Levada, anunciou a intenção de Bento XVI de criar uma forma para que estes grupos anglicanos entrassem em plena comunhão com a Igreja Católica.
Dias depois, a 9 de novembro, foi publicada a constituição Anglicanorum Coetibus.
Grupo de anglicanos australianos anuncia sua adesão ao catolicismo
19/02/10
Primeiro caso depois da publicação da “Anglicanorum coetibus”
Por Carmen Elena Villa
SYDNEY, quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- A comunidade de anglicanos Foward in Faith, que tem sua sede principal na Austrália, poderia ser o primeiro caso de adesão coletiva à plena comunhão com a Igreja Católica depois da publicação da constituição Anglicanorum Coetibus, no último dia 4 de novembro.
Assim deu a conhecer o bispo anglicano David Robarts OAM, em declarações ao jornal australiano The Daily Telegraph, publicadas na terça-feira.
“Amo minha herança anglicana, mas não a perderei ao dar este passo”, assegurou o bispo.
Respeitar a tradição
A comunidade Foward in Faith, presente também na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, buscou permanecer fiel à tradição anglicana e rejeitou algumas modificações, entre elas o exercício do ministério sacerdotal e episcopal por parte das mulheres e a aprovação de alguns sacerdotes, bispos e líderes anglicanos abertamente homossexuais.
E, neste caminho – afirma o bispo –, “procuramos, durante 25 anos, ter algum tipo de supervisão episcopal, mas não conseguimos (…). Já não somos realmente queridos, nossa consciência não foi respeitada”.
Por isso, Robarts afirmou que ele e seus fiéis “vamos seguir este caminho, porque as portas nos foram fechadas na igreja anglicana da Austrália durante um longo tempo”.
E foi assim como, durante uma reunião realizada no último final de semana, cerca de 200 membros votaram unanimemente por voltar à plena e visível comunhão com a Igreja Católica.
Voltar a Roma
Com a publicação da Anglicanorum Coetibus, o Papa Bento XVI introduziu uma nova estrutura canônica que permite aos fiéis ex-anglicanos que entrem em plena comunhão com a Igreja Católica, conservando ao mesmo tempo elementos do patrimônio espiritual e litúrgico anglicano.
A figura dos ordinariatos pessoais, figura canônica de governo não restrita a um território, recorda a figura da prelazia pessoal (a única que existe é o Opus Dei), ou os vicariatos castrenses (diocese sem território na qual um bispo representa a autoridade eclesiástica para os militares ou forças da ordem católicas e suas famílias, independentemente de onde se encontrem).
Segundo o bispo Robarts, os membros desta comunidade, com a supervisão de Dom Peter Elliot, bispo auxiliar de Melbourne, e com a direção da Santa Sé, já começaram com os grupos de trabalho para estabelecer o primeiro ordinariato anglicano que poderia servir de protótipo para os que surgirão posteriormente em outros lugares do mundo.
O bispo David Robarts esclareceu, na entrevista com o The Daily Telegraph, que o passo que a comunidade Foward in Faith pretende dar não é como “quem troca de móveis”.
“Simplesmente estamos dizendo que fomos fiéis ao que os anglicanos acreditaram sempre e que não queremos mudar nada disso, mas nos marginalizaram devido àqueles que querem introduzir algumas ‘inovações’.”
“Precisamos ter bispos que acreditem naquilo que nós acreditamos”, concluiu Robarts.
Bento XVI: Bem-aventuranças e justiça divina
15/02/10
Intervenção antes da oração mariana do Ângelus
CIDADE DO VATICANO, domingo, 14 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- Apresentamos, a seguir, as palavras do Papa hoje, ao introduzir a oração do Ângelus na Praça de São Pedro, com peregrinos procedentes dos cinco continentes.
***
Queridos irmãos e irmãs:
O ano litúrgico é um grande caminho de fé, que a Igreja realiza sempre precedida pela Virgem Mãe Maria. Neste ano, nos domingos do Tempo Comum, este itinerário está marcado pela leitura do Evangelho de Lucas, que hoje nos acompanha “num lugar plano” (Lc 6, 17), onde Jesus para com os Doze e onde se reúne uma grande multidão de outros discípulos e de pessoas vindas de todos os lugares para escutá-lo.
É neste contexto que se insere o anúncio das “bem-aventuranças” (Lc 6,20-26; cf. Mt 5,1-12). Jesus, levantando os olhos para os seus discípulos, diz: “Bem-aventurados vós, que agora tendes fome (…). Bem-aventurados vós, que agora chorais (…). Bem-aventurados sereis, quando os homens (…) amaldiçoarem o vosso nome” por minha causa.
Por que os proclama bem-aventurados? Porque a justiça de Deus fará que estes sejam saciados, ressarcidos de toda falsa acusação, enfim, porque os acolhe desde já em seu reino. As bem-aventuranças se baseiam no fato de que existe uma justiça divina, que exalta quem for humilhado e humilha quem se exaltar (cf. Lc 14,11).
De fato, o evangelista Lucas, depois dos quatro “bem-aventurados vós”, acrescenta quatro admoestações: “Ai de vós, os ricos (…). Ai de vós, que agora tendes fartura (…). Ai de vós, que agora rides (…). E “ai de vós quando todos vos elogiam”, porque, como afirma Jesus, as coisas se inverterão, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos” (cf. Lc 13, 30).
Esta justiça e esta bem-aventurança se realizarão no “Reino de Deus” ou “Reino dos céus”, que terá seu cumprimento no final dos tempos, mas que já está presente na história. Onde os pobres são consolados e admitidos no banquete da vida, lá se manifesta a justiça de Deus.
Esta é a tarefa que os discípulos do Senhor estão chamados a levar a cabo também na sociedade atual. Penso na realidade do Albergue da Cáritas de Roma, na Estação Termini, que visitei nesta manhã: incentivo de coração os que trabalham nesta benemérita instituição e todos que, no mundo inteiro, se empenham gratuitamente em obras similares de justiça e de amor.
O tema da justiça é precisamente o centro da Mensagem para a Quaresma, que começará na próxima quarta-feira, chamada de Cinzas. Hoje desejo, portanto, entregá-la idealmente a todos, convidando-os a lê-la e meditá-la.
O Evangelho de Cristo responde positivamente à sede de justiça do homem, mas de maneira inesperada e surpreendente. Jesus não propõe uma revolução de cunho social ou político, mas a do amor, que realizou com sua cruz e ressurreição. Nela se baseiam as bem-aventuranças, que propõem um novo horizonte de justiça, inaugurado pela Páscoa, graças à qual podemos ser justos e construir um mundo melhor.
Queridos amigos: dirijamo-nos agora a Nossa Senhora. Todas as gerações a proclamarão “bem-aventurada”, porque Ela acreditou na boa notícia que o Senhor anunciou (cf. Lc 1, 45.48). Deixemo-nos guiar por Ela no caminho da Quaresma, para ser libertados da ilusão da autossuficiência, reconhecer que temos necessidade de Deus, da sua misericórdia, e entrar assim em seu Reino de justiça, de amor e de paz.
[Depois o Ângelus, o Papa cumprimentou os diversos grupos de fiéis e peregrinos presentes, saudou os poloneses, recordando a festa de hoje dos santos Cirilo e Metódio, padroeiros da Europa, e disse em Português:]
A minha saudação estende-se também aos peregrinos de língua portuguesa, nomeadamente ao Senhor Cardeal Dom José Policarpo com os seus fiéis do Patriarcado de Lisboa, a quem agradeço a visita de hoje e a oração diária pelo Sucessor de Pedro. Possam irradiar a santidade de Cristo pelos caminhos da vida, particularmente no seio da família e comunidade cristã, que de coração abençoo.
[Tradução: Aline Banchieri
©Libreria Editrice Vaticana]
Só os Santos transformam a Igreja e a sociedade, recorda o Papa Bento XVI
13/01/10
VATICANO, 13 Jan. 10 / 01:04 pm (ACI).- Em meio de uma jornada dominada pela dor pelo terremoto que golpeou o Haiti, para quem o Papa Bento XVI pediu urgentemente a ajuda da comunidade internacional, o Santo Padre dedicou a Audiência Geral de hoje às ordens mendicantes do século XIII, dominicanos e franciscanos, e explicou que solo os Santos, guiados Por Deus são “os autênticos reformadores da vida da Igreja e da sociedade”.
Em sua habitual catequese na Sala Paulo VI e perante umas nove mil pessoas, o Pontífice se referiu às ordens fundadas por São Francisco de Assis e São Domingo de Gusmão, assinalando os que alcançam a santidade, como estes dois grandes fundadores, convertem-se em “mestres com a palavra e testemunhas com o exemplo, promovem uma renovação eclesiástica estável e profunda”.
Santos como Francisco de Assis e Domingo de Gusmão “foram capazes ler com inteligência os “sinais dos tempos”, intuindo os desafios que a Igreja daquela época deveria enfrentar, como o aparecimento de grupos radicais que se afastavam da verdadeira doutrina cristã; o aumento das populações urbanas sedentas de uma intensa vida espiritual; e a transformação cultural que eclodia a partir das Universidades”. Um destes desafios era “a expansão de vários grupos e movimentos de fiéis que, embora inspirados por um desejo legítimo de vida cristã autêntica, colocavam-se freqüentemente fora da comunhão eclesiástica”.
Entre estes grupos, disse o Papa, estavam os cátaros ou albigenses, que re-propuseram antigas heresias como “o desprezo do mundo material, a negação da livre vontade e a existência de um princípio do mal equiparável a Deus”.
Movimentos como aqueles tiveram êxito, “não só por sua sólida organização, mas também porque denunciavam uma desordem real na Igreja, causado pelo comportamento pouco exemplar de diversos representantes do clero”, acrescentou Bento XVI
Entretanto, os franciscanos e os dominicanos “demonstraram que era possível viver a pobreza evangélica sem separar-se da Igreja”, renunciando não somente à posse de bens materiais, mas também rechaçando que a comunidade fosse proprietária de terrenos e bens imóveis, testemunhando assim “uma vida extremamente sóbria para ser solidários com os pobres e confiar apenas na Providência”.
O estilo pessoal e comunitário das ordens mendicantes, “somado à adesão total ao ensino da Igreja e à sua autoridade foi muito apreciado pelos pontífices da época, que ofereceram seu pleno apoio a essas novas experiências eclesiásticas, reconhecendo nelas a voz do Espírito”.
“Também hoje, inclusive vivendo em uma sociedade em que prevalece o ter sobre o ser, somos muito sensíveis aos exemplos de pobreza e solidariedade”, observou Bento XVI, recordando que Paulo VI afirmava que “o mundo escuta com agrado aos mestres quando também há testemunhas. Esta é uma lição que não deverá ser esquecida jamais na obra de difusão do Evangelho: viver em primeira pessoa o que se anuncia, ser espelho da caridade divina”.
Do mesmo modo, as ordens responderam à exigência muito difundida em sua época da instrução religiosa, pregando e tratando “temas muito próximos à vida da gente, sobre tudo a prática das virtudes teologais e morais, com exemplos concretos, facilmente compreensíveis”.
Dada sua importância, estas ordens mendicantes promoveram instituições leigas como os grêmios ou as autoridades civis as consultavam freqüentemente. Os franciscanos e dominicanos foram assim “os animadores espirituais da cidade medieval” e “puseram em marcha uma estratégia pastoral adequada às transformações da sociedade”. Em um tempo em que as cidades cresciam, construíram seus conventos em zonas urbanas e viajaram de um lugar a outro, “abandonando o princípio de estabilidade que tinha caracterizado a vida monástica durante séculos”.
Outra grande provocação eram “as transformações culturais”, que tornavam muito vivaz a discussão nas universidades. Daí que os frades “entrassem nos ateneus mais famosos como estudantes e professores, erigissem centros de estudo e incidissem significativamente no desenvolvimento do pensamento”.
Ao falar das chamadas “terceiras ordens” dependentes dos franciscanos e dominicanos, onde se reuniam os leigos, o Santo Padre disse que “a proposta de uma ‘santidade leiga’ conquistou muitas pessoas. Como recordou o Concílio Ecumênico Vaticano II, a chamada à santidade não está reservada a alguns, mas é universal. Em todos os estados de vida, seguindo as exigências de cada um deles, encontra-se a possibilidade de viver o Evangelho. Também hoje todo cristão deve ter a ‘medida alta da vida cristã’ em qualquer estado de vida ao que pertença!”.
“Hoje, vivendo em uma sociedade em que com freqüência prevalece o ‘ter’ sobre o ‘ser’, somos muito sensível aos exemplos de pobreza e solidariedade, que os fiéis oferecem com opções valentes. Também hoje não faltam iniciativas similares: os movimentos, que partem realmente da novidade do Evangelho e o vivem com radicalidade no hoje, ficando nas mãos de Deus, para servir ao próximo. Esta é uma lição para não esquecer nunca na obra da difusão do Evangelho, viver pessoalmente o que se anuncia, ser espelho da caridade divina”.
Ao finalizar sua catequese, Bento XVI ressaltou que “hoje também há uma “caridade da verdade e na verdade”: “uma “caridade intelectual” para iluminar as inteligências e conjugar a fé com a cultura”.
“A tarefa dos franciscanos e dominicanos nas universidades medievais é um convite a estar presentes nos lugares de elaboração do saber para propor, com respeito e convicção, a luz do Evangelho sobre as questões fundamentais que correspondem ao ser humano, a sua dignidade e o seu destino eterno”, concluiu o Papa Bento.
Convite de Bento XVI aos jovens: estar conectados a Jesus
21/12/09
Durante sua tradicional felicitação de Natal a um grupo da Ação Católica italiana
CIDADE DO VATICANO, domingo 20 de dezembro de 2009 (ZENIT.org).- Se oferecemos nossa disponibilidade a Jesus e abrimos nosso coração a Ele, Ele não deixará de fazer-nos sentir sua presença.
Assim recordou Bento XVI no último sábado, ao receber em audiência uma representação de jovens da Ação Católica Italiana (ACR) para a tradicional felicitação de Natal, na qual expressou sua estima pessoal pelo particular compromisso que a associação está vivendo no tema “Estamos conectados”, para colocar-se em comunicação com Jesus e com os demais.
“Também vós sois pequenos como Zaqueu, que subiu em uma árvore porque queria ver Jesus, mas o Senhor, levantando o olhar, percebeu-o imediatamente, no meio da multidão”, explicou o Papa aos jovens, citando o personagem e a imagem bíblica como referência do programa.
“Jesus vos vê e vos escuta, mesmo que sejais pequenos, ainda que às vezes os adultos não vos considerem como gostaríeis”, acrescentou, sublinhando que Cristo “não somente vos vê, mas sintoniza vossa onda, quer deter-se onde vós estais, estar convosco, criar com cada um de vós uma forte amizade”.
“Diante de Jesus, imitai sempre o exemplo de Zaqueu, que desceu imediatamente da árvore, acolheu-o cheio de alegria em sua casa e não deixou de fazer-lhe uma festa”, pediu o Papa.
“Acolhei-o em vossa vida de todos os dias, entre o lazer e as tarefas, na oração, quando Ele pede vossa amizade e vossa generosidade, quando sois felizes e quando tendes medo.”
“No Natal, mais uma vez, o amigo Jesus sai ao vosso encontro e vos chama. Ele é o Filho de Deus, é o Senhor que vedes a cada dia nas imagens das igrejas, nas ruas, nas casas. Ele vos fala sempre do amor maior, capaz de entregar-se sem limites, de trazer paz e perdão.”
Bento XVI recordou, portanto, que somente a presença de Jesus na vida “dá a plena alegria”, porque “Ele é capaz de fazer sempre nova e bela cada coisa” e “não vos esquece jamais”.
“Se lhe dizeis cada dia que estais ‘conectados’, esperai certamente que Ele vos chame para enviar-vos uma mensagem de amizade e afeto”, afirmou, explicando que esta mensagem pode chegar a qualquer momento: “quando participais da santa Missa, quando vos dedicais ao estudo, aos vossos compromissos cotidianos ou quando sabeis cumprir gestos de participação, de solidariedade, de generosidade e de amor aos demais”
O Papa lhes pediu especialmente que estejam perto dos “jovens que sofrem, especialmente aqueles que vêm de países distantes e que frequentemente são abandonados, sem pais e sem amigos”.
Durante o encontro, esteve presente uma delegação de jovens da Ação Católica de Belém, cidade à qual será dedicado, em janeiro, o “mês da paz”, através de um projeto de solidariedade com a Terra Santa, para reconstruir o auditório da paróquia de Belém.
Papa convida ortodoxos a superarem diferenças históricas com Roma
01/12/09
“Enquanto chega a plena comunhão, demos testemunho comum”
Por Inma Álvarez
ISTAMBUL, segunda-feira, 30 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI pediu ao patriarca Bartolomeu I de Constantinopla que ambos, católicos e ortodoxos, possam trabalhar juntos e dar um maior testemunho comum, ainda que não se tenha alcançado a comunhão plena entre as igrejas.
Assim expressa em uma longa mensagem, enviada ao patriarca ecumênico através do presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, cardeal Walter Kasper.
O purpurado se encontra hoje em Istambul, à frente de uma delegação da Santa Sé, por ocasião da festa do apóstolo Santo André, padroeiro das igrejas orientais.
Bento XVI pede, em sua mensagem, que continuem avançando no caminho rumo à comunhão plena, “apesar das dificuldades”, superando as feridas do passado.
“Nossa crescente amizade, nosso respeito recíproco, nossa vontade de encontrar-nos e de reconhecer uns aos outros como irmãos em Cristo não deveriam ser obstaculizados por aqueles que permanecem ancorados em sua lembrança de diferenças históricas: isso os impede de abrir-se ao Espírito Santo, que guia a Igreja e que é capaz de transformar todas as fraquezas humanas em oportunidades para o bem”, afirma.
Especialmente, anima a prosseguir o diálogo iniciado na reunião da Comissão Mista Católico-Ortodoxa em Chipre do último mês de outubro, na qual se refletiu sobre o papel do bispo de Roma no primeiro milênio cristão, antes do Grande Cisma.
Este tema, admite o Papa, “é certamente complexo e requererá um estudo amplo e um diálogo paciente, se quisermos aspirar a uma integração compartilhada das tradições do Oriente e do Ocidente”.
Explica que, para a Igreja Católica, o ministério petrino é “um dom do Senhor para a sua Igreja”, que “não deve ser interpretado a partir de uma perspectiva de poder, e sim no âmbito de uma eclesiologia de comunhão, como serviço à unidade na verdade e na caridade”.
“Trata-se de buscar juntos, deixando-nos inspirar pelo modelo do primeiro milênio, as formas pelas quais o ministério do bispo de Roma possa realizar um serviço de amor reconhecido por todos”, acrescentou.
Testemunho comum
Enquanto esta comunhão plena não for alcançada, é importante, no entanto, ir mostrando diante da sociedade um maior testemunho comum, “cooperando ao serviço da humanidade”, afirma o Papa.
Católicos e ortodoxos devem colaborar “na defesa da dignidade da pessoa humana, na afirmação dos valores morais fundamentais, na promoção da justiça e da paz e em dar resposta ao sofrimento que continua atingindo nosso mundo, em particular a fome, a pobreza, o analfabetismo e nossa não equitativa distribuição dos recursos”.
Outro campo de cooperação, aponta o Papa, é a questão do meio ambiente: “Nossas igrejas podem trabalhar juntas para chamar a atenção sobre a responsabilidade da humanidade pela tutela da criação”.
Neste sentido, o Papa mostra seu apoio às iniciativas empreendidas por Bartolomeu I, especialmente à sua participação no simpósio internacional sobre “Religião, Ciência e Meio Ambiente”, dedicado ao rio Mississipi, no último mês de setembro.
Só Cristo é autêntica esperança que dá sentido à vida, diz o Papa Bento XVI
30/11/09
VATICANO, 29 Nov. 09 / 11:55 am (ACI).- Ao presidir as primeiras vésperas do tempo de Advento, o Papa Bento XVI explicou seu significado de autêntica espera, ao mesmo tempo ativa, em que se busca cristo, porque com Ele toda vida humana cobra verdadeiro sentido “mesmo quando outros já não podem nos assegurar nenhum apoio, ainda quando o presente se torna fatigante”.
Ao iniciar sua homilia de ontem pela tarde na Basílica de São Pedro, o Santo Padre explicou que Advento provém da palavra latina adventus, que “pode traduzir-se como ‘presença’, ‘chegada’, ‘vinda’”. “Com a palavra adventus queria dizer substancialmente: Deus está aqui, que não se retirou do mundo, não nos deixou sós. Embora não o possamos ver nem tocar, como acontece com as realidades sensíveis, Ele está aqui e vem nos visitar de múltiplas formas”, disse o Pontífice.
Então, prosseguiu o Papa, “o significado da expressão ‘advento’ compreende, portanto, também o de ‘visitatio’, que quer dizer simples e propriamente ‘visita’. Neste caso, trata-se de uma visita de Deus: Ele entra em minha vida e quer dirigir-se a mim. Todos experimentamos, na existência cotidiana, ter pouco tempo para o Senhor e pouco tempo também para nós. Acaba-se sendo absorvidos pelo ‘afazer”.
Seguidamente o Papa alertou sobre como “às vezes as coisas nos ‘atropelam’. O Advento, este tempo litúrgico forte que estamos começando, nos convida a determo-nos em silencio para perceber uma presença. É um convite a compreender que cada uma das vivencias do dia são sinais que Deus nos dirige, sinais da atenção que tem para com cada um de nós. Quão freqüentemente Deus nos faz perceber algo de seu amor!”
Bento XVI ressaltou logo que outro elemento fundamental do Advento é a espera que é ao mesmo tempo esperança.
“O homem, em sua vida, está em espera constante: quando é menino quer crescer; sendo adulto tende à realização e ao êxito e, avançando na idade, deseja o merecido descanso. Mas chega o tempo em que descobre que esperou muito pouco se, além de sua profissão ou de sua posição social, não fica nada mais por esperar. A esperança marca o caminho da humanidade, mas para os cristãos está animada por uma certeza: o Senhor está presente no transcurso de nossa vida, nos acompanha e um dia enxugará também nossas lágrimas. Um dia, não longínquo, tudo encontrará seu cumprimento no Reino de Deus, Reino de justiça e de paz”.
“Mas há formas muito distintas de esperar. Se o tempo não for repleto com um presente que tenha sentido, a espera corre o risco de tornar-se insuportável; sim esperamos algo, mas neste momento não há nada –quer dizer se o presente ficar vazio– cada instante que passa parece exageradamente longo, e a espera se transforma em um peso muito grave, porque o futuro fica totalmente na incerteza. Entretanto, quando o tempo está dotado de sentido, e em cada instante percebemos algo específico e válido, então a alegria da espera faz que o presente seja mais precioso”.
Depois de reiterar que o Advento se converte então em “ocasião para voltar a despertar em nós o sentido verdadeiro da espera, voltando para o coração de nossa fé, que é o mistério de Cristo”, o Papa sublinhou que “também nós podemos dirigir-lhe a palavra, apresentar-lhe os sofrimentos que nos afligem, nossa impaciência, as perguntas que brotam de nosso coração”.
“Estejamos seguros de que nos escuta sempre! E se Jesus estiver presente, já não existe nenhum tempo sem sentido e vazio. Se Ele estiver presente, podemos seguir esperando, ainda quando outros já não podem nos assegurar nenhum apoio, ainda quando o presente se volta fatigante”.
“Queridos amigos, o Advento é o tempo da presença e da espera do eterno. Precisamente por esta razão é, em especial, o tempo da alegria, de uma alegria interiorizada, que nenhum sofrimento pode cancelar. A alegria pelo fato de que Deus se fez menino”.
“Esta alegria, invisivelmente presente em nós, nos alenta a caminhar confiantes”, concluiu o Papa pedindo à Virgem Maria que “nos obtenha a graça de viver este tempo litúrgico vigilantes e ativos na espera. Amém!”
Palavras de Cristo “não passarão”, diz Papa
16/11/09
Ao rezar o Ângelus com os peregrinos este domingo
CIDADE DO VATICANO, domingo 15 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa explicou este domingo antes da oração do Ângelus na Praça de São Pedro qual é o poder da Palavra de Cristo.
“Aqueles que ouvem a Palavra, a acolhem e dão fruto, formam parte do Reino de Deus –indicou, fazendo referência ao Evangelho de Marcos–, quer dizer, vivem sob seu senhorio.”
E continuou: “permanecem no mundo, mas já não são do mundo; levam em si uma semente de eternidade, um princípio de transformação que se manifesta já agora na vida boa, animada pela caridade, e ao final produzirá a ressurreição da carne”.
Depois desta explicação, Bento XVI destacou que “a Virgem Maria é o sinal vivo desta verdade”.
“Seu coração foi ‘terra boa’ que acolheu com plena disponibilidade a Palavra de Deus, de maneira que toda sua existência, transformada segundo a imagem do Filho, foi introduzida na eternidade”, afirmou,
“Seguindo Cristo sobre o caminho da cruz –assegurou–, possamos chegar também nós à glória da ressurreição.”
O Santo Padre destacou que “todo o criado está marcado pela finitude, inclusive os elementos divinizados das antigas mitologias: não há confusão entre o criado e o Criador, mas uma diferença clara”.
“Com essa clara distinção –acrescentou–, Jesus afirma que suas palavras ‘não passarão’, quer dizer, estão na parte de Deus e portanto são eternas.”
“Ainda que pronunciadas no concreto de sua existência terrena, são palavras proféticas por excelência”, explicou.
Na saudação aos peregrinos de língua alemã, o Santo Padre indicou que “em Deus encontramos a verdadeira liberdade e alegria duradoura” e que Cristo “nos ensina como devemos amar a Deus e ao próximo”.
Já para os peregrinos húngaros, indicou que eles sejam capazes de viver a boa nova do Evangelho em uma sociedade secularizada.
Papa exorta a amar Igreja apesar de suas manchas
09/11/09
Ao visitar a paróquia em que Paulo VI foi batizado
Por Roberta Sciamplicotti
CONCESIO (BRÉSCIA), domingo, 8 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI exortou a amar a Igreja apesar de suas sombras e manchas, como parte do compromisso assumido no Batismo, ao concluir neste domingo uma visita à cidade de Paulo VI.
O pontífice quis concluir esta viagem de um dia visitando a paróquia de Concesio, pequeno povoado situado perto de Bréscia, onde foi batizado Giovanni Battista Montini no dia 30 de setembro de 1897.
Em sua homilia no pequeno templo, o Papa reconheceu: “Não é fácil ser cristãos”.
“É preciso ter valor e tenacidade para não conformar-se com a mentalidade do mundo – acrescentou –, para não se deixar seduzir pelo potente convite do hedonismo e do consumismo, para enfrentar, se for necessário, as incompreensões e inclusive perseguições.”
“Viver o batismo implica em permanecer solidamente unidos à Igreja, inclusive quando vemos em seu rosto sombras e manchas.”
“Ela nos regenerou à vida divina e nos acompanha em todo o nosso caminho: amemos a Igreja como nossa autêntica mãe!”, exortou o bispo de Roma.
“Amemos a Igreja e sirvamos a Igreja com um amor fiel, que se traduza em gestos concretos dentro das nossas comunidades, sem ceder à tentação do individualismo e do preconceito, superando toda rivalidade e divisão”, convidou.
“Assim seremos autênticos discípulos de Cristo”, concluiu, recolhendo os ensinamentos e experiências de Paulo VI sobre o Batismo, sacramento através do qual acontece “a transfusão do mistério da morte e ressurreição de Cristo em seus seguidores”.
O Papa concluiu assim uma visita de quase 12 horas a Bréscia, dedicada ao seu predecessor, na qual inaugurou a nova sede do Instituto Paulo VI.
"Pela morte e ressurreição de Cristo se abre para nós a casa do Pai, Reino de vida e de paz", afirma Bento XVI
01/11/09
Vaticano, 01 Nov. 09 / 09:22 am (ACI).- Milhares de fiéis e originais chegados de todas as partes do mundo se reuniram este meio-dia na Praça de São Pedro para rezar o Ângelus dominical com o Papa Bento XVI, quem desde a janela do Palácio Apostólico recordou que só seguindo a Cristo nesta vida seremos acolhidos por Ele mesmo no céu.
O Santo Padre definiu a Solenidade de Todos os Santos como um convite “à Igreja peregrina na terra a pré-saborear a festa sem fim da Comunidade celeste e reavivar a esperança na vida eterna”.
“Neste Ano Sacerdotal eu gosto de recordar com especial veneração os Santos sacerdotes, tanto aqueles que a Igreja canonizou, propondo-os como exemplo de virtudes espirituais e pastorais; assim como aqueles –muito mais numerosos– que são conhecidos pelo Senhor. Cada um de nós conserva grata memória de algum deles, que nos ajudou a crescer na fé e nos fez sentir a bondade e a proximidade de Deus”, disse o Pontífice.
Da mesma forma o Papa fez referência à comemoração, no dia de amanhã, de todos os fiéis defuntos, convidando a “viver este dia segundo o autêntico espírito cristão, quer dizer à luz que provém do Mistério pascal. Cristo morreu e ressuscitou e abriu a passagem à casa do Pai, o Reino da vida e da paz”. “Quem segue a Cristo nesta vida é acolhido onde Ele nos precedeu. (…) Suas almas –de nossos seres queridos- já ‘estão nas mãos de Deus’. O modo mais eficaz e próprio de honrá-los é rezar por eles, oferecendo atos de fé, de esperança e de caridade. Em união ao Sacrifício eucarístico, podemos interceder por sua salvação eterna e experimentar a mais profunda comunhão à espera de nos re-encontrarmos juntos, gozando para sempre do Amor que nos criou e redimiu”, acrescentou Bento XVI.
Antes de iniciar a oração do Ângelus o Papa enfatizou que a comunhão dos Santos “é uma realidade que infunde uma dimensão diversa a toda nossa vida. Não estamos sozinhos. Somos parte de uma companhia espiritual em que reina uma profunda solidariedade: o bem de cada um é ajuda para todos, e vice-versa, a felicidade comum se irradia em cada um”. Seguidamente Sua Santidade rezou o Ângelus, repartiu sua Bênção Apostólica e saudou os presentes em diversos idiomas.