Anunciando o Evangelho
Artigos com o marcador São Francisco de Assis
São Bernardino de Siena
29/01/10
Nasceu em Massa perto de Siena, Toscana, Itália em 8 de setembro de 1380 e morreu em Áquila em 20 de Maio de 1444 , foi canonizado pelo Papa Nicolau V em 1450.
Filho do governador de Massa, Bernardino foi colocado aos cuidados de uma tia após a mote de seus pais em 1386. Ela proveu a sua educação e com 17 anos ele entrou para a congregação de Nossa Senhora em Siena.
Quando a praga atingiu Siena em 1400, Bernardino ofereceu para tomar conta do hospital e sua generosidade, coragem e piedade fizeram dele um herói. Ele também juntou 12 amigos que arriscaram suas vidas para ajudarem com os doentes. Durante os meses mais pestilentos Bernardino organizou um serviço de resgate e trabalhou sem descanso e milagrosamente não contraiu a peste. Vários de seus companheiro morreram ao contraírem a doença e algumas fontes dizem que ele também a contraiu mas conseguiu milagrosamente se salvar. Ele ainda cuidava da sua tia cega e até ela falecer aos 90 anos.
Certa vez orando em frente ao crucifixo, teve uma visão, igual de São Francisco de Assis, na qual o Jesus descia da cruz e vinha ao seu encontro nú, e com todas as dores e chagas.
Ele não pode resistir ao apelo que viu nos olhos de Jesus e deu tudo que tinha e tomou o hábito em 8 de setembro de 1402 e entrou para um Mosteiro Franciscano em Clomaio perto de Siena. Em setembro de 1804 ele foi ordenado e mudou-se para Florença. Nos 12 anos seguintes ele pregou sem cessar. Em Milão em setembro 1 de 1417 ele fez o seu primeiro sermão em uma igreja e sua eloquência e fervor atraíram uma multidão tão grande que teve de fazer o sermão de fora da igreja.
O povo fez ele prometer que voltaria no ano seguinte, antes de deixarem que ele fosse pregar na Lombardia. Ele cobriu metade da Itália, geralmente a pé pregando duas a três horas por dia e freqüentemente dando vários sermões em um só dia geralmente em um púlpito fora da igreja porque as multidões eram tão grande que não cabiam nas igrejas.
Ele atacava a usura de forma feroz e denunciava os governantes e os poderosos. Por outro lado, ele não tinha nenhuma característica comum da época, como acreditar em bruxarias e em nas hostilidades contra Jesus.
Certa vez um jogador profissional reclamou que Bernardino havia acabado com o seu ganha pão pois ninguém mais na cidade queria jogar e Bernardino deu a ele um novo oficio: fazer cartas com as iniciais IHS e elas foram todas vendidas na maior facilidade.
Alguns de seu sermões foram criticados na Universidade de Bolonha pela sua controvérsia e deu a ele algum problema durante 8 anos até que tudo terminou a seu favor. Os seu detratores o acusaram de encorajar praticas supersticiosas. Eles disseram que ele carregava com ele um cartão com o nome de Jesus escrito no cartão e quando ele encontrava um pecador ele mostrava o cartão ao pecador e do cartão saía raios de luz. O denunciaram ao Papa Martinho V. Ele foi absolvido das acusações depois de examinado a sua doutrina e conduta. A luz do seu cartão com as inicias IHS, podia ser uma visão de seu devotado espirito e paixão que tinha por Jesus, que eram transmitido ao pecador. O Papa Marinho V ficou tão impressionado que ofereceu a ele um bispado em Siena em 1427, mas ele agradeceu. Em 1428 ele se tornou o Vigário Geral dos Frades da Ordem da Estrita Observância. Ele reformou as regras envolvendo os frades, pregadores e professores e muitos conventos passaram da Comum para a Estrita Observância. De fato o número de frade passou de 300 para 4000 e os quando os frades evitavam os escolares como sendo ricos, Bernardino forçou que ele fossem aceitos como instrutores de teologia e lei canônica, como parte dos currículos regulares.
Em 1430 ele escreveu trabalhos teológicos em Latin e em Italiano e que cobriam os principais itens doutrinários e morais da Cristianismo alem do seu “Tratado da Santa Virgem”. Ele fundou Colégios de teologia em Perugia e Monterido.
Em 1442 ele obteve permissão para renunciar os seu oficio e assistir o Consilho de Florença onde deu importantes contribuições teológicas. Mesmo com a saúde abalada, Bernardino insistiu um uma ultima jornada missionária. Começou em Massa em 1444 onde ele pregou por 50 dias consecutivos Embora estivesse morrendo ainda foi para Nápoles onde pregou, e depois ainda foi para Aquila e Ambruzzi, onde ele finalmente morreu.
A sua tumba em Aquila logo passou a ser um local de peregrinação e de muitos milagres. Ele foi um dos maiores missionários do 15° século e foi canonizado apenas 6 anos após a sua morte. Ele é chamado de “Pregador do Povo” porque seus sermões eram cheios de vívidos exemplos populares, desde a historia de um solteirão até a de uma dona de uma casa de modas.
São Bernardino certa vez escreveu:
“Tantas são as criaturas que servem a Deus quanto são as servem a Maria”.
São Bernardino é representado na arte litúrgica da Igreja como um velho franciscano segurando um cartão com o sinal IHS com raios saindo do cartão. Pintores Medievais e da Renascença o pintam com olhos de fogo. Outros mostram ele pregando na Praça de Siena e ainda outros o mostram com uma bandeira com as iniciais IHS ou com três mitras aos seus pés, lembrando o bispado que ele recusou.
É o padroeiro dos anunciantes
Sua festa é celebrada no dia 20 de maio
São Boaventura
29/01/10
Nasceu como Giovanni de Fidanza e a lenda diz que São Francisco de Assis o curou milagrosamente de uma doença perigosa na juventude e exclamou: ” Ó buena ventura” e assim seu nome mudou para Boaventura.
Um contemporâneo de São Thomas de Aquino, de São Alberto o grande, ele foi para a Universidade de Paris com 14 anos. Lá estudou teologia sob o grande professor franciscano Alexandre Hales e talvez tenha sido influenciado a entrar a Ordem dos Franciscanos com 20 anos.
Lá pelos anos 1248 formou-se Bacharel em Teologia, e Bacharel em Escrituras. Dois anos mais tarde ele tornou-se Mestre em Teologia e foi indicado Catedrático dos Frades Menores. Ele ensinou teologia e escrituras, e pregou em Paris de 1248 a 1255, concentrado na elucidação de alguns problemas que exercitava as mentes dos estudiosos da época.
Seu ensinamentos eram cercados de oposição por alguns professores seculares, que ficavam ciumentos do sucesso do novo frade e ainda mais incomodado pela vida austera que ele levava.
Aparentemente o desprezo que eles tinham pelos franciscanos, levou a universidade a demorar emitir o diploma de Doutorado em Teologia, mas isto não deixou Boaventura nem abalado e nem chateado porque ele tinha uma mente elevada. Com Tomas de Aquino ele defendeu os frades contra os seus oponentes.
Quando o líder secular Willian de Santo Aurmour escreveu “Os perigos dos últimos tempos “, Boaventura respondeu publicando “Preocupado com a pobreza de Cristo” um tratado da santa pobreza.
O Papa Alexandre IV denunciou Willian e ordenou o término dos ataques aos frades mendicantes. Assim a ordem dos mendicantes foi re-estabelecida em Paris, e São Boaventura e Santo Tomas de Aquino receberam em 1257 seus doutorados em teologia.
Naquele mesmo ano, quando tinha apenas 36 anos Boaventura foi eleito Ministro Geral dos Franciscanos. Nesta posição ele se defrontou com uma tarefa difícil, porque ele pensava que São Francisco de Assis havia estabelecido um ideal incomparável para a Ordem, mas a sua organização era fraca e desde a sua morte, um grande número de diferentes grupos haviam surgido.
No seu quartel general em Narbone, em 1260 São Boaventura desenvolveu um jogo de regras que se tornou a Constituição da Ordem, por isto é que ele é chamado de “o segundo fundador dos franciscanos”.
Alguns o acusam de ter enfraquecido o espirito de São Francisco : A “Vida” que ele escreveu de si próprio, de modo a promover a unidade dos irmãos franciscanos é acurada mas incompleta. Ele modificou o Regra da Ordem que proibia os franciscanos de receber dinheiro e ter suas próprias propriedades.
A severa interpretação da espiritualidade de São Francisco de Assis valorizava a pobreza acima de tudo, inclusive do aprendizado, mas Boaventura aprovada primeiro o estudo e a necessidade da Ordem em possuir livros e casas para conventos e monastérios. Os monges deveriam ensinar e estudar nas universidades para terem condições de pregar e serem guias espirituais para compensar os clérigos pouco educados que haviam na época.
Em aditamento aos seus trabalhos de teologia e filosofia Boaventura deixou tratado de ascéticos, alguns dos quais foram traduzidos para o inglês por ele próprio, inclusive a “Jornada das almas para Deus”.
Entre os seus trabalhos estão: “Comentários das sentenças de São Pedro”(que cobre um amplo campo da teologia escolástica) Os trabalhos místicos de Breviloquium , o “Itinerarium mentis ad Deum” ,” De reductione artium theologium” , a “Perfeição da Vida” (escrito para a Beata Isabel, irmã de São Luís IX e seu Convento das Clarissas Pobres) “Soliloquy”, vários comentários bíblicos de sermões.
Escreveu ainda sobre a Virgem Maria:
“Se o meu Redentor , por causa de meus pecados, me mandasse para longe de si, lançar-me-ia aos pés de Maria,e, aí prostrado , não me levantaria sem que ela me tivesse alcançado o perdão”.
No ano seguinte, o Papa Gregório o chamou para escrever a agenda do 14° Concílio Geral em Lyon e para discutir a reunião de Roma com as Igrejas do Leste. Santo Tomas de Aquino morreu a caminho do Concilio. São Boaventura foi a figura mestre e conseguiu o sucesso do Concílio e com isto ele tambem escreveu o último capítulo das Regra da Ordem entre a terceira e a quarta sessão. São Boaventura veio a falecer enquanto o Concilio de Lyon ainda estava em sessão e foi enterrado em Lyon.
A reputação de São Boaventura é baseada na sua bondade pessoal, seu notável conhecimento e brilhante raciocínio como teólogo. Alguns julgam que ele estaria “iluminado” pelo Espirito Santo.
“Com ele parece que até Adão não havia pecado” escreveu Alexandre de Hales, e quando ele morreu a “Ata Oficial do Concilio” diz: ” Nesta manhã morreu o irmão Boaventura de famosa memória, homem de notável santidade, bondade, homem piedoso, afável, misericordioso, e repleto de virtudes e amor ao Deus e ao homem… Deus deu a ele a graça de que todas as pessoas que com ele convivesse, o respeitava e o amava”.
Embora São Boaventura e Santo Tomas de Aquino fossem amigos por uma vida, os dois homens se opunham em certas questões como o neo-aristotelismo, que estava sendo introduzido na teologia por Aquino. São Boaventura temia que como resultado, a filosofia fosse elevada acima da teologia e que a razão ficasse mais importante que a revelação.
Dizia São Boaventura “um pobre e velho homem pode amar a Deus mais que um Doutor em Teologia”.
Mas a síntese que Santo Tomas de Aquino fez da teologia não teve o efeito desastroso temido por São Boaventura e Santo Tomas se alinhou com os grandes pensadores da Igreja, como Santo Agostinho e enfatizou a supremacia da graça e seguiu os passos do fundador da Ordem.
São Boaventura foi canonizado em 1482 e declarado Doutor da Igreja em 1588.
Na arte litúrgica da Igreja, São Boaventura é mostrado: 1)como um Cardeal com o hábito franciscano lendo ou escrevendo um livro; 2) as vezes com a Arvore da Vida?Jesus crucificado em uma árvore-3) com o crucifixo, 4) com um anjo ouvindo suas preces; 5) na livraria com Santo Tomas de Aquino 6) na pintura do grande Francisco Zuburban ele está presidindo o Consilho de Lyon e 7) com o Papa e o Imperador presentes ao seu funeral.
Sua festa é celebrada no dia 15 de julho.
São Domingos
29/01/10
Domingos Gusmão ou São Dominic
Fundador da Ordem dos Dominicanos
Filho de Felix de Guzman , ele nasceu em Calaruega, Espanha em 1170.
Começou a estudar na Universidade de Palencia e se tornou um franciscano e decano da Catedral de Osma em 1199. Em 1203 Domingos acompanhado do Beato Diego de Azevedo foi para o sul da França para pregar contra os hereges Albifensianos e reformar o monastério local. Domingos abriu um convento em Prouille para mulheres convertidas. Os padres encarregados do convento formaram o núcleo da nova ordem. Em 1208 Peter de Castelnau, o núncio papal foi morto pelos Albigencianos. O Papa Inocencio III em imediatamente iniciou uma cruzada para terminar com a heresia Simão IV de Monfort e comandou uma campanha de sete anos sem sucesso.
Domingos e 6 outros companheiros fundaram a nova Ordem. No quarto Consilho Geral de Lateran em Roma, em 1215, a Ordem não conseguiu a aprovação papal, mas no ano seguinte, o Papa Honorius III deu finalmente a aprovação e sua benção a nova Ordem.
Domingos passou os últimos anos de sua vida organizando a Ordem Ele viajou através da Itália, França e Espanha Os dominicanos tinham os costumes e tradições das demais ordens, mas davam especial interesse aos estudos e pesquisas intelectuais e assim atraiam para a ordem os grandes eruditos. Os dominicanos observavam o ceticismo da época e tinham um grande zelo ao pregar para o homem comum.
Ele fundou, com São Francisco de Assis, os “Mendicantes”uma nova aventura para expandir o apelo da igreja.
Diz a tradição que a Virgem Maria para ele apareceu e o ensinou a orar o Rosário. Assim ele é considerado por muitos como o criador desta linda oração. Os dominicanos são os guardiões do Rosário e as mudanças, rarríssimas, devem ter a sua aprovação e naturalmente a devida Bula Papal. Em outubro de 2002 ao Rosário está sendo acrescentados 5 novos mistérios (os luminosos) a serem orados no “terço” das quintas feiras.
São Domingos fez o seu primeiro Concílio da “Ordem do Pregadores” em Bolonha, Itália em 1220.Ele morreu logo depois em 8 de agosto do ano seguinte. É considerado um dos grande incentivadores do Rosário. Foi canonizado em 1234.
Ele é mostrado na liturgia católica segurando um lírio e é acompanhado de um cão ou um globo em fogo. O seu halo tem uma estrela para distingui-lo dos demais.A sua festa é celebrada no dia 8 de agosto.
São Gaspar del Búfalo
29/01/10
Nasceu em 6 de janeiro de 1786 em Roma, Itália, filho de Antônio del Bufalo um “chef” do principe Altieri e de Annunzaiata Quartieroni. Quando criança sofreu de problemas oculares que quase o cegaram.Ele foi curado em 1788 em seguida a intensas orações a São Francisco de Assis. Ele estudou no Colégio Romano e pretendia se tornar um jesuíta. Foi presidente da recem instituída Ordem Catecista da Escola de Santa Maria del Painto com a idade de 19. Ordenado em 31 de julho de 1808. Em 23 de outubro ele e três amigos, Frei Bonanni e Frei Santelli e Frei Gonnelli fundaram o Oratório de Santa Maria em Vincis. Em 8 de dezembro de 1808 ele fundou com o Padre Albertini a Confraria do Precioso Sangue de Jesus em San Nicola.
Seguindo-se a queda de Roma aos franceses em 1809, e sendo o Estado Papal suprimido em 17 de maio, o Papa Pio VII foi deportado em 6 de julho e os padres foram ordenados a prestarem voto de lealdade a Napoleão. Gaspar recusou-se e no dia 13 de junho de 1810 foi exilado por 5 anos com vários padres para Piacenza e de lá para Bolonha .Em 13 de setembro de 1811 ele recusou-se uma segunda vez em fazer o voto de lealdade e foi enviado para a prisão de San Giovani em Imola e depois para a fortaleza de Imola. Uma terceira recusa fez com que fosse transferido para a fortaleza em Lugo em 16 de maio de 1813. Em seguida a uma quarta recusa em 10 de dezembro de 1813 ele foi sentenciado ao exílio na Córsega Enquanto esperava o transporte em Florença ele recebeu um convite para se juntar aos “Trabalhadores Evangélicos” ,grupo de padres que fazia um trabalho missionário. Embora seja questionável se Gaspar na época poderia ser de alguma ajuda, ele entusiasticamente entrou para o movimento. Menos de um mês mais tarde Murat restaurou a liberdade a todos os padres.
Assim em fevereiro de 1815 retornou aroma após 4 anos de cativeiro. Ele ajudou a formar os Missionários da Precioso Sangue em 1815 em Giano, Soleto, Itália, uma congregação dedicada a trazer os sacramentos de volta a Itália (destruída pela guerra) sob o patrocínio de São Francisco Xavier. Muitos se opunham ao seu trabalho, mas o Papa Pio VII após conversar com ele pessoalmente aprovou seu trabalho. Em 1821 Papa Pio VII designou Gaspar para libertar as províncias dos bandidos e a fundar 6 missões na área. Gaspar ficou os próximos 5 anos no púlpito. Em fevereiro de 1826 ele foi indicado como Nuncio Papa no Brasil .Gaspar pediu para ser dispensado, para continuar a pregar, mas foi forçado a ficar 8 meses nessa nova função. Ele voltou a sua Congregação na Casa Mãe em San Felice em outubro e voltou a pregar nas Casas Missionarias nos próximos 10 anos. Vários milagres foram creditados a ele, inclusive a cura de doentes apenas com sua benção e oração. Ele próprio cuidava dos doentes na peste de 1830 (cólera ). Acabou contraindo a terrível doença e veio a falecer em 28 de dezembro de 1837.
Foi enterrado em Santa Maria em Trivio. Beatificado em agosto de 1904 pelo Papa Pio X e canonizado em 12 de junho de 1954 pelo Papa Pio XII .
Sua festa é celebrada no dia 2 de janeiro.
Só os Santos transformam a Igreja e a sociedade, recorda o Papa Bento XVI
13/01/10
VATICANO, 13 Jan. 10 / 01:04 pm (ACI).- Em meio de uma jornada dominada pela dor pelo terremoto que golpeou o Haiti, para quem o Papa Bento XVI pediu urgentemente a ajuda da comunidade internacional, o Santo Padre dedicou a Audiência Geral de hoje às ordens mendicantes do século XIII, dominicanos e franciscanos, e explicou que solo os Santos, guiados Por Deus são “os autênticos reformadores da vida da Igreja e da sociedade”.
Em sua habitual catequese na Sala Paulo VI e perante umas nove mil pessoas, o Pontífice se referiu às ordens fundadas por São Francisco de Assis e São Domingo de Gusmão, assinalando os que alcançam a santidade, como estes dois grandes fundadores, convertem-se em “mestres com a palavra e testemunhas com o exemplo, promovem uma renovação eclesiástica estável e profunda”.
Santos como Francisco de Assis e Domingo de Gusmão “foram capazes ler com inteligência os “sinais dos tempos”, intuindo os desafios que a Igreja daquela época deveria enfrentar, como o aparecimento de grupos radicais que se afastavam da verdadeira doutrina cristã; o aumento das populações urbanas sedentas de uma intensa vida espiritual; e a transformação cultural que eclodia a partir das Universidades”. Um destes desafios era “a expansão de vários grupos e movimentos de fiéis que, embora inspirados por um desejo legítimo de vida cristã autêntica, colocavam-se freqüentemente fora da comunhão eclesiástica”.
Entre estes grupos, disse o Papa, estavam os cátaros ou albigenses, que re-propuseram antigas heresias como “o desprezo do mundo material, a negação da livre vontade e a existência de um princípio do mal equiparável a Deus”.
Movimentos como aqueles tiveram êxito, “não só por sua sólida organização, mas também porque denunciavam uma desordem real na Igreja, causado pelo comportamento pouco exemplar de diversos representantes do clero”, acrescentou Bento XVI
Entretanto, os franciscanos e os dominicanos “demonstraram que era possível viver a pobreza evangélica sem separar-se da Igreja”, renunciando não somente à posse de bens materiais, mas também rechaçando que a comunidade fosse proprietária de terrenos e bens imóveis, testemunhando assim “uma vida extremamente sóbria para ser solidários com os pobres e confiar apenas na Providência”.
O estilo pessoal e comunitário das ordens mendicantes, “somado à adesão total ao ensino da Igreja e à sua autoridade foi muito apreciado pelos pontífices da época, que ofereceram seu pleno apoio a essas novas experiências eclesiásticas, reconhecendo nelas a voz do Espírito”.
“Também hoje, inclusive vivendo em uma sociedade em que prevalece o ter sobre o ser, somos muito sensíveis aos exemplos de pobreza e solidariedade”, observou Bento XVI, recordando que Paulo VI afirmava que “o mundo escuta com agrado aos mestres quando também há testemunhas. Esta é uma lição que não deverá ser esquecida jamais na obra de difusão do Evangelho: viver em primeira pessoa o que se anuncia, ser espelho da caridade divina”.
Do mesmo modo, as ordens responderam à exigência muito difundida em sua época da instrução religiosa, pregando e tratando “temas muito próximos à vida da gente, sobre tudo a prática das virtudes teologais e morais, com exemplos concretos, facilmente compreensíveis”.
Dada sua importância, estas ordens mendicantes promoveram instituições leigas como os grêmios ou as autoridades civis as consultavam freqüentemente. Os franciscanos e dominicanos foram assim “os animadores espirituais da cidade medieval” e “puseram em marcha uma estratégia pastoral adequada às transformações da sociedade”. Em um tempo em que as cidades cresciam, construíram seus conventos em zonas urbanas e viajaram de um lugar a outro, “abandonando o princípio de estabilidade que tinha caracterizado a vida monástica durante séculos”.
Outra grande provocação eram “as transformações culturais”, que tornavam muito vivaz a discussão nas universidades. Daí que os frades “entrassem nos ateneus mais famosos como estudantes e professores, erigissem centros de estudo e incidissem significativamente no desenvolvimento do pensamento”.
Ao falar das chamadas “terceiras ordens” dependentes dos franciscanos e dominicanos, onde se reuniam os leigos, o Santo Padre disse que “a proposta de uma ‘santidade leiga’ conquistou muitas pessoas. Como recordou o Concílio Ecumênico Vaticano II, a chamada à santidade não está reservada a alguns, mas é universal. Em todos os estados de vida, seguindo as exigências de cada um deles, encontra-se a possibilidade de viver o Evangelho. Também hoje todo cristão deve ter a ‘medida alta da vida cristã’ em qualquer estado de vida ao que pertença!”.
“Hoje, vivendo em uma sociedade em que com freqüência prevalece o ‘ter’ sobre o ‘ser’, somos muito sensível aos exemplos de pobreza e solidariedade, que os fiéis oferecem com opções valentes. Também hoje não faltam iniciativas similares: os movimentos, que partem realmente da novidade do Evangelho e o vivem com radicalidade no hoje, ficando nas mãos de Deus, para servir ao próximo. Esta é uma lição para não esquecer nunca na obra da difusão do Evangelho, viver pessoalmente o que se anuncia, ser espelho da caridade divina”.
Ao finalizar sua catequese, Bento XVI ressaltou que “hoje também há uma “caridade da verdade e na verdade”: “uma “caridade intelectual” para iluminar as inteligências e conjugar a fé com a cultura”.
“A tarefa dos franciscanos e dominicanos nas universidades medievais é um convite a estar presentes nos lugares de elaboração do saber para propor, com respeito e convicção, a luz do Evangelho sobre as questões fundamentais que correspondem ao ser humano, a sua dignidade e o seu destino eterno”, concluiu o Papa Bento.
Franciscanos recordarão seu 8º centenário em Assis
08/04/09
Reviverão o «capítulo das esteiras»
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 7 de abril de 2009 (ZENIT.org).- Mais de dois mil franciscanos de todo o mundo se congregarão de 15 a 18 de abril para recordar em Assis o 8º centenário da fundação da família religiosa, convidados por seus superiores gerais.
Recordarão um encontro convocado por São Francisco de Assis cinco anos antes de sua morte, em 1221, quando chamou 5 mil frades: foi o primeiro capítulo geral dos franciscanos, que então se chamou «das esteiras», pois naquela ocasião, por falta de leitos, os frades dormiram em «esteiras».
O próximo capítulo internacional das esteiras, convocado em recordação dos 800 anos da aprovação, em abril de 1209, por parte do Papa Inocêncio III, da Regra de São Francisco, e portanto da nova Ordem, foi apresentado nesta terça-feira em Roma, na sede da Rádio Vaticano, pelo ministro geral da Ordem dos Frades Menores, o Pe. José Rodríguez Carballo.
«O capítulo das esteiras quer ser um momento intenso de testemunho ao mundo como fraternidade e de reflexão sobre os temas fundamentais de nossa vida», explicou o Pe. Carballo.
Os delegados se reunirão em Assis e depois em Roma, em representação dos 35 mil frades franciscanos das 4 denominações que estão presentes em 65 países do mundo.
O capítulo concluirá com a audiência do Papa Bento XVI, no pátio do palácio apostólico de Castel Gandolfo, em 18 de abril.
As jornadas franciscanas refletirão sobre a acolhida, o testemunho, o significado da penitência e do jejum e a gratidão.
Dedicar-se-á também um amplo espaço a refletir sobre o compromisso missionário, pois, como explicou o Pe. Carballo, os franciscanos são a primeira ordem missionária.
«São Francisco é o primeiro fundador que escreve em sua regra um capítulo sobre a missão em terras cristãs, mas é o primeiro também em escrever um capítulo sobre a Missio ad gentes, para aqueles que iam entre os chamados sarracenos e outros não-cristãos.»
«Estivemos sempre na fronteira da evangelização e este será nosso compromisso também para o futuro – declara o ministro geral. Nosso claustro é o mundo.»
Quem não puder participar do capítulo, poderá acompanhar ao vivo suas diferentes fases graças à Teleradio Padre Pio, que transmite por satélite (www.teleradiopadrepio.it).
O Papa pede a sacerdotes que preguem um Cristo exigente
19/06/07
VATICANO, 18 Jun. 07 / 12:00 am (ACI).- Durante o encontro que teve ontem, domingo, com sacerdotes e religiosos em Assis com ocasião de sua visita apostólica à terra de São Francisco, o Papa Bento XVI convidou a anunciar a santidade como meta da vida cristã.
Durante o encontro realizado na Catedral de São Rufino de Assis, o Santo Padre destacou que “não basta” com que milhões de fiéis que se passam por Assis admirem São Francisco, mas sim é necessário “que ao sentir-se atraídos por seu carisma percebam o núcleo essencial da vida cristã e sua ‘medida mais alta’, a santidade“.
O Papa destacou que os cristãos de nosso tempo “têm que enfrentar cada vez mais freqüentemente a tendência de aceitar um Cristo diminuído, admirado em sua extraordinária humanidade, mas rechaçado no mistério profundo de sua divindade. O próprio São Francisco sofre essa espécie de mutilação quando lhe apresenta como testemunha de valores importantes, apreciados pela cultura atual, mas se esquece que sua eleição profunda, o centro de sua vida, é a eleição de Cristo”.
O Pontífice destacou que o nome de Francisco, acompanhado pelo de Clara, “exige da cidade de Assis se distinga por um particular impulso missionário”; e assinalou que por este motivo, “também é necessário que esta Igreja viva de uma intensa experiência de comunhão”.
Dirigindo-se aos sacerdotes e diáconos, o Santo Padre assegurou que seu “entusiasmo, comunhão, vida de oração e ministério generoso, são indispensáveis”. Frente ao cansaço e o “medo ante as novas exigências e as novas dificuldades, temos que ter confiança no Senhor, que nos dará a força necessária para realizar o que nos peça. Não deixará de enviar vocações se as implorarmos com a oração e nos preocupamos de buscar e custodiar com uma pastoral juvenil e vocacional rica de ardor e de criatividade, capaz de mostrar a beleza do ministério sacerdotal”.
Bento XVI concluiu dirigindo-se às pessoas consagradas, que “para a Igreja constituem uma riqueza grande, tanto no âmbito da pastoral paroquial como para tantos peregrinos, que freqüentemente vêm pedir hospitalidade, e esperam também um testemunho espiritual”.
Finalmente, às religiosas de clausura, o Papa pediu para “manter alta a chama da contemplação”, e serem “sinais do amor de Cristo, ao que possam fixar seu olhar todos outros irmãos e irmãs expostos às fadigas da vida apostólica e do compromisso laico no mundo”.






